Quinta-feira, Setembro 17, 2009

escrever tem sido dificil.
nao pela dificuldade, mais pela falta de ideias, ou pelo expressar-se de outras formas.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Rajneesh

Viva de acordo com sua própria pequena luz. Suficiente luz tem sido dada a você, você a trouxe com você. Você não precisa viver de acordo com Buda, de acordo com Mahavira, de acordo com Krishna. Eles nunca viveram de acordo com ninguém mais, lembre-se...


... sempre de que cada um tem de viver de acordo com sua própria luz.
O mestre não tem que ser imitado literalmente. Ele tem que ser compreendido.

Sábado, Julho 11, 2009

Hamlet em Curitiba




- Pede pra sair, pede pra sair!!!

Quarta-feira, Junho 10, 2009

um bom fumante

"Um bom fuman...." (espirra fumaça pelo nariz e boca). Railanderson irritou sua garganta porque foi desafiado a falar a famosa frase do bom fumante.
Um bom fumante fala mais de dez palavras sem soltar fumaça pela boca.
Se falasse essa frase inteira, pausadamente, sem soltar a fumaça do cigarro, seria considerado um bom fumante.
Tentou, tentou e tentou. Até conseguir. Railanderson pode se considerar um bom fumante.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Presente

Sim, somos espírito, estamos matéria.
Imagino situação semelhante acontecendo na dimensão espiritual.
Sim, somos matéria, estamos espírito.
O que se segue pode ser algo banal, pode ser cheio de contradições (que até eu me contradiga em minhas ações cotidianas), incompreendido, ou pior, ultrapassar do incompreendido para o intolerado e assim em diante, até ser odiado. Pode ser compreendido e amado, ou aceito como opinião.

Sem querer parecer dono da verdade, mas a maneira como lidamos com a espiritualidade parece-me errônea.
Tomo a liberdade de estabelecer uma linha, de acordo com a crença espiritualista corrente (que para mim parece a maneira mais coerente de compreender): "éramos espírito, encarnamos, éramos matéria, desencarnamos, somos espírito..." e assim sucessivamente até ultrapassar o limite da roda evolutiva.

Agora chego ao ponto.

Se somos matéria, o sejamos.
A cada minuto que agimos na construção da vida espiritual, perdemos a chance de construir na vida material.
Negar o estado matéria, parece-me algo como um espírito desencarnado tentar negar seu estado.
E ouvimos isso de um espírito negar seu estado em alguns discursos espiritualistas. O conceito de obsessão, que pode ser explicado mais ou menos assim: "existem espíritos que ignoram estar desencarnados, persistindo com seus desejos materiais, imaginam-se encarnados. E, como não têm um corpo físico, alimentam seus vícios através das emanações etéreas de outros espíritos encarnados".
Um espírito que não se satisfaz em seu estado espiritual.

Um paralelo interessante.
Em vez de viverem suas próprias realidades, aceitando-a como uma etapa transitória, tentam modificar a lógica e atravessar a roda. Flertam entre as duas dimensões, mas frustram-se, por ainda estarem presos em uma delas.

Estar presente e aceitar a transitoriedade, esquecendo ânsias de passado e futuro.

Railanderson tabagista

Railanderson era daquels fumantes ocasionais que sempre filava o cigarro dos amigos. Com o passar do tempo, pegando vício, passou a se considerar tabagista.
Mas a maior graça do cigarro era filar dos amigos.
O que fazer?
Comprou alguns maços e pediu que os amigos guardassem, para preservar a sensação de filar um cigarro.

Domingo, Maio 31, 2009

"e por falar em paixão" - Nelson Gonçalves

E por falar em saudade
onde anda você
onde andam seus olhos que a gente não vê,
onde anda esse corpo
que me deixou louco de tanto prazer.
E por falar em beleza
onde anda a canção
que se ouvia
na noite dos bares de então,
onde a gente ficava,
onde a gente se amava,
em total solidão.
Hoje saio da noite vazia,
numa boemia sem razão de ser.
Da rotina dos bares,
que apesar dos pesares,
me trazem você.
E por falar em paixão
da razão de viver,
você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares,
na noite nos bares,
onde anda você.
E por falar em saudade
onde anda você
onde andam seus olhos que a gente não vê,
onde anda esse corpo
que me deixou louco de tanto prazer.
E por falar em beleza
onde anda a canção
que se ouvia
na noite dos bares de então,
onde a gente ficava,
onde a gente se amava,
em total solidão.
Hoje saio da noite vazia,
numa boemia sem razão de ser.
Da rotina dos bares,
que apesar dos pesares,
me trazem você.

E por falar em paixão,
da razão de viver,
você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares,
na noite nos bares, onde anda você.

¬¬

Terça-feira, Maio 26, 2009

Tia Neide

Tia Neide é a próxima a entrar nessa história. Nelçon sempre pede conselhos a tia Neide. Tia Neide é o último fio de ligação que Nelçon tem com a família de sua mãe. Nelçon perguntou à tia o que fazer. Maria de Fátima dizia que queria ser a numero um, a superstar do coração de Nelçon, que por sua vez se agarrava na teoria de Nelsinho, que punha o bar, as infindáveis rodadas de truco na bodega do fumaça, sua coleção de figurinhas do Zequinha, sua paixão (platônica) por automóveis e por fim, os bons momentos de leitura do Diário Popular em primeiro plano em relação à sua esposa. Nelsinho enviuvou sem realmente ter conhecido sua mulher. E esse era seu orgulho de macho.
Tia Neide sempre notou isso, e sempre falava para a irmã dar um basta, antes que aquela dor a matasse. Deu no que deu. Mas Neide tinha seus planos. Corromperia Nelsinho a partir do filho. E Maria de Fátima seria o pulo do gato.

Quarta-feira, Maio 20, 2009

guruVishnu

o véu de maya cobrindo os olhos de todos.
eis que vishnu desvela o som das trombetas.
sim, esse é o momento.
a largada foi como uma espoleta, que detona um fio, que vai enviando sinais, até que todos os detonadores estão prontos.
o momento é esse.
estar aqui e agora, consciente de que é.

E isso é necessário ser falado?

Quinta-feira, Maio 14, 2009

O cheirinho da morena enche de saliva a boca de quem para para criar essa image

pensamento abortado.

será que não conseguirei escrever mais nada interessante?
algum dia escrevi?

bem, desse tipo de divagação esse blog já está cheio. Vamos ao próximo ponto.
Um gato vomitando,

ideia abortada de novo

A nova reforma

pein! soa a campainha

Diriam os incautos:
"Ele perdeu a mão"
os mais incautos ainda:
"Deve estar usando droga"

Diria eu. Diria tu. Diria ninguém.
Obtenções obliterárias
Fiz desaparecer a obliteração.
Ponto pra mim!
Qual é a próxima figura?

[uma ideia abortada que nem cheguei a escrever]



Será que ainda aguento mais?
Isso é facil!
Difícil é seguir numa mesma ideia.
Desafio a seguir firme na mesma ideia.
Vamos?
Vamos!

Sexta-feira, Maio 08, 2009

mais

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Arte rupestre em tempos de msn


Quarta-feira, Maio 06, 2009

Pinturas Rupestres - versão MSN











Terça-feira, Maio 05, 2009

anaxiomas

Domingo, Maio 03, 2009

no dia em que chegar minha hora, lá no finalzinho quando eu ver que não adianta mais nada, vou pensar em Deus e dizer:
-vai, leva que o filho é teu!

Sábado, Maio 02, 2009

reunidos todos estavamos. noite clara, atitudes brandas. gemia o tronco de uma árvore, de tempos em tempos. o prenúncio de um nada que estaria para iniciar. findo o encontro, rumamos embora entediados, certos de que em casa, cada um na sua - com algo em comum - conseguiriamos extrair conversa.
-oi
-oi td bm
-sim e vc?
-bem e ahi
-n sei to ahi
-legal
-fazendo alguma coisa?
-só lendo emails

Terça-feira, Abril 14, 2009

Sábado, Abril 11, 2009

Bom dia Bete!
Quer já ir?

Segunda-feira, Abril 06, 2009

lá pelas platibandas de outros planaltos
despontam montanhas pontudas soberanas
eu como filho, pai e soberano aponto

derrotas amargas jazem cadáveres
luz a ciano quarenta por cento
roxo-purpúreo, a pútrida pátria caía


sempre divagando buscando a palavra
e nenhuma de mais entardece a teclar
trinta macacos e nada, perdi o compasso

filhadeumaputa perguntou afirmando
desgraçado caiu de cabeça e continua rimando
pu-ta-que-o-pa-ri-u todo mundo parou para ouvir

uma figurinha pra dar um alívio aos olhos

mito

Uma história como tantas outras. Um rapaz sentiu-se angustiado e resolveu partir para dar conta de suas angústias.
De seu lugar conhecido e seguro, deu a conhecer locais para ele e para os que antes estavam ao seu redor, inimagináveis.
Foi nesses lugares que viu o que há de belo e não belo no mundo.
Conheceu a injustiça.
E jurou fazer de tudo que pudesse para fazer valer a justiça.
Quando se sentia o mais só dos solitários, como num piscar de olhos, fez amigos. Amigos que o ajudaram a olhar para frente, para cima e para os lados.
Esqueceu seus medos.
Um dia sentiu-se chamado. E aquele sentimento tomou todo seu ser, de uma maneira a qual não consegui mais resistir. Foi de encontro aos seus anseios.
Num lugar escuro, solitário, iluminado pelas estrelas, de uma paz encantadora, conheceu seu mestre. Era ele, o mestre, quem o chamava. Apesar de ter relutado de início, aceitou o chaado e foi ao seu encontro.
De seu mestre recebeu a luz. Dessa luz a sabedoria e a habilidade para conseguir tudo que desejasse.
Certo dia, após muito esforço e suor derramado, o discípulo depara-se frente a seu mestre e um amuleto. Como todos os amuletos mágicos, só poderia ser repassado aos bons de espírito. Ele não acreditava ainda em si. Entre admirado e espantado, agradeceu a confiança do mestre e aceitou o objeto com o coração aberto.
O mestre mais nada tinha a falar e retirou-se.
Naquele momento, vendo seu mestre retirar-se, resolveu subir ao alto da escarpa. No topo, já com o dia amanhecendo, percebeu sua magnitude e sentiu que naquele momento estava pronto.
Sentindo o vento batendo contra si, abriu seus braços e desse momento em diante passou a acreditar em si mesmo.
Decidiu partir e combater a injustiça. As primeiras batalhas iam sendo vencidas quando recebeu um comunicado.
Deveria retornar a sua terra para casar-se e se tornar rei.
Despediu-se do lugar onde viveu todo esse tempo, percebendo nesse gesto como havia se modificado durante aquele tempo.
Casou-se e no dia seguinte coroou-se. A cerimônia foi simples, significativa para ele e seu povo. O novo rei foi à sacada de seu palácio saudar o seu reino. Entre a multidão estavam seus amigos e seu mestre.
O sol voltou a brilhar e o povo voltou a sorrir ao ver seu rei saudando com gestos de amor.
E o reino prosperou...

Domingo, Abril 05, 2009

antologia

Haroldo Blusti ganhou na loteria o maior prêmio, o prêmio principal.
Aplicando corretamente o dinheiro, em investimentos rentáveis, ele teria boa quantia que daria para ele viver até seus setenta, oitenta anos numa vida cômoda e luxuosa.
Ele poderia viajar duas vezes por ano a lugares que talvez conhecesse de livros, do cinema, da televisão, do teatro e da imaginação. Quem sabe andaria pelos famosos museus e ver de perto obras de expoentes mundiais das artes plásticas. Poderia andar na barulhenta Tóquio, comer um hot dog em Nova Iorque e São Paulo. Poderia comer hot dogs em cada esquina do mundo. Haroldo Blusti poderia entrar mal-trajado num hotel e teria de ser “engolido” pelo gerente que viria pessoalmente atendê-lo para acompanhá-lo até a suíte presidencial. Ele poderia embrenhar-se no mundo dos negócios e comprar uma boa porcentagem de ações de uma grande empresa e, de acordo com o tamanho do lote, poderia votar e escolher os desígnios da empresa. Quem sabe ele conhecesse muitas pessoas em suas inestimáveis viagens, conhecesse novas línguas, comidas e se apaixonasse perdidamente por uma cidade que porventura conhecesse. De lá não quisesse sair mais pois seu destino era cruzar fronteiras, deixar um mundo para trás e adentrar em outros. Choraria despedidas, beijaria furtivamente uma linda moça que conheceria numa danceteria em Bangkok, choraria convulsivamente a despedida com uma garota que conheceria em Roterdã, e não veria a hora de se livrar da histérica de San Diego. Haroldo construiria seu porto seguro numa montanha incrustada no meio de uma serra, em algum lugar do Brasil. Lá ele seria abastecido pela melhor comida da região e por uma malha de transportes eficiente. Ele poderia ir de sua casa a Havana e em algumas horas estar mergulhando nos mares do Caribe para aí no outro dia voltar. É claro que tudo isso dependeria dos sucessos de Haroldo no mundo dos negócios. Ele poderia munir-se de tudo o que a sociedade e o consumo dizem a ele ser bom. Equipar-se-ia com uma miríade de aparelhos eletrônicos com demasiada tecnologia.
Ia.
Harol Blusti não era apegado a bens materiais. Seu grande prazer era jogar na loteria e acertar. Já havia ganhado algumas vezes prêmios secundários e um principal que não era lá muita coisa.
Resumindo: Haroldo Blusti é viciado em jogo e hoje ele doou todo o prêmio à LBV. Fim dos sonhos de quem assistiu a loucura do Haroldo.
“Mas logo a LBV?!”, alguém pode perguntar.

Haroldo Blusti não era louco o suficiente para ser da Igreja Universal, mas era “fraco” o bastante para doar seu dinheiro ao Maluf. Da última vez havia doado à campanha do Maluf.

“Mas a LBV não é do Maluf”, a mesma pessoa diria.

E não é. Mas doar ao Maluf ou à LBV...

Ironias de um destino

“Deus é um desses caras irônicos, sabe?
Assim como você pode voltar bem para cá, você pode voltar para ser enterrado.”
Enquanto ele falava isso, eu ia quase conseguindo passar a janela. A janela, uma daquelas redondas que se vê em diversos lugares. Passaria meu corpo e somente ele por ela. Eu estava um pouco receoso que ela soltasse e na hora que eu estivesse quase passando ela me decapitasse. Outro receio era de como eu iria cair na parte de fora do recinto. Eu estava atravessando a janela começando pelos pés e era um pouco alto. O risco de fraturar os pés e pernas é grande. Peguei uma das tábuas de meu companheiro de quarto, para segurar a janela e servir de apoio para minha descida. Eu punha apoiando a janela e a janela como que cortava a tábua, amassando-a e danificando um pouco a madeira.
“Cuidado com essa tábua, essa que está apoiando a janela. Índios do mundo inteiro já tocaram nela.”
Finalmente comecei a ganhar a rua. Enfim.

Os prêmios oferecidos eram três. Somente um é o que realmente vale a pena, os outros dois são espécies de chacota aos que eles denominam sub-raça.
Um dos grupos, o grupo ao qual pertenço foi acomodado em local apropriado, abrigado das chuvas vespertinas, do frio da noite, da fome e de mosquitos malévolos.
Um dos outros grupos, ao que pude observar considerado por eles inferior, ganhou abrigo num terreiro um pouco ou quase inóspito, uma área que alguns ainda denominam capoeira. Dormem em barracas improvisadas às pressas com lonas emprestadas pela fábrica de tijolos.
Esses, se receberem algum prêmio, receberão o de chacota. Mas eles juram se vingar e almejam o dia em que vencerão de verdade.
Os ganhadores do prêmio verdadeiro seriam os do meu grupo. Pode haver surpresa, não é algo tão imutável assim, mas a lógica é quase sempre certa.
Assim como é lógico e bem provável que seja a mim entregue. De outra forma, por que eu teria sido chamado ao outro lado do rio?
Estou preocupado e isso é o que tem tirado meu sono desde que soube da probabilidade do prêmio.
Não sou, não fui e, provavelmente, nunca serei um cidadão como os outros, enquadrados em padrões invejáveis de disciplina. Não me considero um ser iluminado, muito pelo contrário, tenho minhas fraquezas, e quem quiser sabê-las é só prestar atenção um pouco mais.
Acredito que tenham prestado um pouco mais de atenção em mim, mas não faz sentido.
Bem, tenho meus méritos também. Sou bom no que faço e até um exemplo para os que ainda, sem rumo, não se decidiram pela luz.
Talvez por isso o prêmio a mim e não aos outros.
Certo de que quem vai ter a honra de recebê-lo e conservar consigo sou eu, mas o que esquecem, e às vezes esqueço também, confesso, é a importância do prêmio para o grupo como um todo. Talvez por eu pensar assim é que ele vá ser entregue a mim.
Dessa quase total probabilidade já me fez sentir efeito entre os meus, pois suscitou em muitos, que não faziam questão de esconder, inclusive no meu companheiro de quarto.
É espantoso, porém não é inesperado o tipo de reação dos meus.
Todas as minhas ações e atitudes passaram a ser vigiadas e julgadas.
Pasmo, já começo a temer pela minha vida. Acredito, porém que, no máximo, os meus iriam tentar me privar da liberdade, para assim algum outro, fácil de manipular, receba o prêmio.



Uma tempestade vespertina está se aproximando. Triste, pois eu gostaria de atravessar o rio pelas rochas, pulando-as. Nessas circunstâncias, atravessar o rio pelas rochas, seria atentar contra a própria vida.
Já se ouvia o som dos trovões. Para chegar ao outro lado a salvo, eu teria de estar na ponte da represa em pouco tempo, do contrário eu talvez nem chegasse.
Essa represa devia ficar a uns oitocentos metros, que seriam fáceis de atravessar em outras circunstâncias, não fosse o nervosismo, a pressa e ansiedade.
A represa é tão grande, que chega a ter algo de assustador. Foi construída do vale até o topo de duas montanhas, oitocentos metros cada.
Como sou um dos prováveis ganhadores do prêmio, tenho de percorrer sozinho quase toda a extensão do caminho, com exceção dos trechos em que me disseram que eu teria um guia. É o caso desse trecho. Quem me guia nele é uma moça que não consegui saber o nome, pois um pouco impaciente, às vezes some na frente deixando-me para trás por própria conta.
Agora vejo que ela já chegou à represa e já está no alto, atravessando a ponte.
Acredito que... é isso existe um elevador. Começo já a respirar com um pouco mais de alívio, pois já começo a sentir os primeiros pingos da chuva.
A espera pelo elevador é curta. Já dentro dele começo a subir. A subida é muito rápida e quase imperceptível, não fosse pela sensação de desintegração. Como se eu estivesse me desmanchando e essas partes, desintegradas de mim, ficando para baixo a vaguear pelo espaço.
No alto, após descer do elevador começo a sentir medo. Sei já que o que separa o destino de onde estou não é mais só um simples atravessar de uma ponte, é transcender meu medo e tornar-me um novo homem.
Trovões cada vez mais perto, a minha guia, do outro lado, com o que parece ser um certo remorso, chama Mateus para me ajudar.
A ponte é dividida em quatro partes iguais. O primeiro quarto para atravessar é totalmente descoberto e entregue às ações do vento, do sol e da chuva. O segundo e o terceiro quarto, que é onde estão me esperando é coberto, seguro e bem aquecido. Moram muitas pessoas nesse lugar.
O quarto quarto, os poucos dos meus que já conseguiram ir até lá, quiseram voltar e contar depois, dizem que é uma área livre das intempéries. Ainda me disseram para não me deter muito tempo em detalhes da paisagem, pois correria riscos inexplicáveis.
Mas ainda estou no primeiro quarto e Mateus já está do outro lado dizendo que vai me ajudar. Arremessa um objeto, que não consigo definir, em minha direção, o que para ele é uma ajuda a mim. Antes de o objeto chegar, decido ir, apesar do medo, vento forte e chuva.
Para minha surpresa, o longo caminho foi rápido, cheguei do outro lado num piscar de olhos, mas completamente molhado. Sentia-me leve, agradecendo a Mateus pela ajuda. Alguém corre providenciar uma roupa seca e peço um cigarro a Mateus enquanto espero a roupa. Ele não é de muita conversa. Não faz mal, penso, eu também não sou.



Já vestido, recebo as últimas instruções. Dizem a mim que o prêmio, agora, quem tem que fazer por merecer sou eu, somente eu. Que esse caminho eu teria de fazer completamente só, sem ninguém para me orientar. Que eu deveria confiar na minha sensibilidade e intuir sobre o melhor caminho a seguir.
Tudo isso eu já havia ouvida antes em outras fases de minha vida, mas ouvi como se fosse a primeira vez.
Eu já estava ficando ansioso, mais do que já estava há dias, quando me deram a permissão de seguir. Comecei a seguir o que haviam me instruído, fui começando a sentir caminho e segui curiosamente, ou não, como se já o conhecesse.
Meus antigos fantasmas pessoais se dissipavam, pois já não faziam mais parte de mim, Simultaneamente, eu passava a me sentir cada vez mais pleno, repleto de mim mesmo.
Comecei a observar a paisagem em volta e coisas inexplicáveis começaram a acontecer. Como haviam já me dito. Lembrei disso e tratei de olhar para frente e continuar, pois era o que realmente interessava no momento.
A caminhada ainda seria longa, quase interminável, mas tão ou mais rápida que a passagem do primeiro quarto da ponte.
O destino, mais uma surpresa, era uma caverna. Encimando a entrada havia como que um avançado de madeira, coberto de palha que, acredito, deve ajudar a proteger do sol e da chuva.
Entrando na caverna, um odor muito agradável foi me inebriando. O meu caminho já estava perto do fim. Era o que eu sentia. No seu fim, encontrei um caboclo, um eremita de idade muito avançada, sentado numa pedra, atiçando o fogo de uma fogueira. Sentei na frente dele e comecei a me indagar se apenas isso seria o prêmio.
Olhei bem para o rosto dele. Parecia não ter se importado muito comigo. Seu cajado era de uma madeira retorcida, firme e brilhante. O seu chapéu amarelo, também brilhava, mas brilhava tanto que parecia ter luz própria.
Olhando para essa luz, acho que adormeci e, no meu devaneio fui cada vez mais aproximando dessa luz do chapéu, até entrar. Lá dentro esse caboclo me parabenizou pelo prêmio e disse estar feliz por isso.
Ainda disse que o estar ali não era nada de mais mesmo.
Disse que o maior prêmio não é o destino e sim a viagem.

SDS

Os tempos.

Outras versões. Os travessões. Mantenha o diálogo. Duas palavras. Olá e adeus. Pai nosso. mal amem. Nem podia ser. Elisabeth a Isabel. Dirijam-se à saída.

Posto que. O lado de lá...

Nem Bob Marley, nem Fred Astaire. Taí que Thunderbird seria.

Guardemos a lógica a Lígia.

Saudações de um retornista

Sexta-feira, Março 06, 2009

776

de alguma forma resolvi escrever sinto-me tentado a escrever um pouco mais venho rabisco e leio escrevo mais sem sentido no começo corro porque outra coisa em estado de emergência precisou de mim recomeço e finalizo

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

passarinho
veio aqui
sentou e
fez cocô

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Objetas

Guaramindaí. Se esse blog tivesse um rss, seria um estardalhaço!

comentários em todos os círculos: "o joão postou de novo!"

atimaiaçu.

atimaimirim.

Sinceramente, acho que de algum lugar deve se iniciar.

Não adianta ficar pedindo pra que algo se realiza. evite isso, mas faça que se saiba que aquilo é o que você quer.

Domingo, Novembro 16, 2008

Fechamos por motivo de força maior.
reabriremos na segunda quizena.

Quinta-feira, Outubro 23, 2008

Recobrando

Sexta-feira, Outubro 03, 2008

Glorioso ano de mil novecentos e setenta e nove.
Numa noite como outra qualquer, ambos dormiam.
Loucura, mundo dos sonhos. Idiotice des-cerebrada.
Eis que...
Eximiam então um ao outro da responsabilidade.
O segredo seria revelado anos mais tarde, então.
Um acidente, o mundo dos sonhos...

Terça-feira, Setembro 16, 2008

anjo DANIEL

Sobre o anjo Daniel
Categoria: Principados
Príncipe: Haniel
Protege os dias:
08/05 - 20/07 - 01/10 - 13/12 - 24/02
Número de sorte: 5
Mês de mudança: maio
Carta do tarô: O papa
Está presente na Terra:
de 16:20 às 16:40
Salmo: 102 e/ou 103
O Anjo: Este anjo auxilia a obter a misericórdia de Deus e a ter consolação. Favorece a justiça, o clero e a magistratura. Dá inspiração para não ficar indeciso ou embaraçado pelos mais diferentes motivos.



Influência: Quem nasce sob esta influência será trabalhador e executará todas as suas atividades com muito amor. Perceberá que sua intuição poderá chegar à genialidade, quando é convidado para debates ou mesmo quando estiver entre amigos. Terá sorte e proteção contra as enfermidades. Determinado, não gosta de nada que não seja claro e bem explicado. Paciente ao extremo, será capaz de suportar quase tudo das pessoas, mas não aceita ser recriminado injustamente, podendo ser duro e agressivo se a pessoa não estiver com a razão. Pensa antes de agir e não gosta de sentir-se ameaçado; não desperdiça seus sonhos em fantasias impossíveis. Motivador e justo, será uma pessoa pública, com capacidade para tratar de qualquer assunto. Descobrirá o "porquê" de muitos problemas sociais e convencerá a sociedade de que suas propostas são satisfatórias para se tornarem êxito. Na infância poderá ter tido problemas em demonstrar afetividade com os pais, por isso será comum vê-lo paparicando os filhos, provavelmente para compensar esta carência. Trabalhará com mais doçura, equilíbrio e afetuosidade, quando encontrar um ambiente parecido com seu lar. Alguns fatos da adolescência poderão marcar sua vida, dando-lhe plena certeza de que seu anjo guardião está sempre presente protegendo-o e guardando-o, pois é através da sua inteligência, que seu interior liga-se ao seu mundo astral.



Profissionalmente: Poderá adaptar-se muito bem em atividades ligadas ao comércio exterior ou em empresas internacionais. Por sua eloqüência, poderá ser um grande orador, fazer sucesso na política ou como ator.

Domingo, Setembro 14, 2008

Bati na porta três vezes. Precavi que ninguém me via. Tirei a chave dos bolsos.
Dei duas voltas de chave na fechadura e a porta estava aberta.
Um passo e eu estou dentro.
Se eu sei que a vida é bela e linda.
Jogue duas vezes. Primeira jogada. Segunda jogada.
A terceira é a mais custosa.

Errando

ggaaarrrr
uma onomatopéia de um sonzinho que gostaria de emitir. O corpo gelado queima, arde com a febre do início da noite. Vagueia como um errante, beco a beco procurando sabe-se lá o que.
Na praça avista uma linda flor. Aproxima seu corpo passo a passo do canteiro. Cheira a flor - sem odor - arranca duas pétalas e pisa.
Pontapé no ar. Começa a andar atrapalhando os pés. A impressão que um possível espectador poderia ter era a de que andava tropeçando, meio que saltitando.
A lua, cheia, clareia a praça normalmente escura a essa hora do dia.
Precisa cuidar da saúde. Umas três semanas que essa febre noturna aparece, trazendo um frio, suor e tremedeiras.
Precisa, mas não cuida. Parece esperar por algo. Parece ter esquecido algo. Parece caminhar sem rumo, errando. Errando, errando.

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

de novo aquela vontade de postar algo interessante.

alho interessante

Domingo, Agosto 31, 2008

Professores

:: Saul Brandalise Jr. ::

Aprendi, depois de muito sofrer, que a vida é muito diferente de como eu a encarava. Não sabia interpretar corretamente as adversidades e reagia, portanto, de forma equivocada aos tropeços pelos quais acabava tendo que passar.

- Primeiro: eu não sabia que tudo é Causa e Efeito. Não é Deus que quer assim. Esta é a Lei Básica do Universo.
- Segundo: o que eu colhia era conseqüentemente fruto de meus pensamentos e atitudes.
- Terceiro: fomos nós que escolhemos viver no meio em que vivemos. As adversidades precisam ser entendidas, aceitas e isoladas.
- Quarto: que sempre iria encontrar os desafetos de vidas passadas, que seriam karmas a serem resgatados.
- Quinto: o que eu não gosto nas pessoas é EXATAMENTE O QUE EU PRECISO APRENDER.
- Sexto: ninguém precisa de religião para aprender a se comportar. Precisa de controle e disciplina.
- Sétimo: o mal é um estágio de energia e não um sujeito de chifres e cauda.
- Oitavo: eu projeto o que sou.
- Nono: minhas emoções são os vetores responsáveis pela minha felicidade ou tristeza.
- Décimo: finalmente sei que VOU RETORNAR A ESTE PLANETA ATÉ PERCORRER TODO O ZODIACO.

Portanto, preciso ser lúcido nesta vida se quero ter a outra igual, ou melhor. Tudo irá depender do que planto. De como atuo com minhas emoções. De como me comporto com os bens materiais. Ou você acha que é por um acaso que existem tantas desigualdades em nosso meio...

Assim, os nossos desafetos, as pessoas que “não dão liga” precisam ser encarados como nossos professores. Temos que aprender com eles. São nossos espelhos. Acredite, é sério. São NOSSOS EXEMPLOS a serem seguidos, para um lado ou para o outro. O que eles projetam, nós também projetamos. É por isso que não gostamos, são muito parecidos conosco. Aplicamos as mesmas regras em nossas atitudes. Quando aprendi isso tomei um susto e não quis acreditar que eu era o que era...

Ninguém chega até nós por um acaso. Mas, faça um favor a si mesmo, leve esta afirmação muito a sério. Em cada pessoa sempre existe uma mensagem embutida. Os seres que gostamos precisam também ser entendidos, tanto quando aqueles que queremos abominar e banir de nossas relações. Os que gostamos são complementos, os que não gostamos são Professores.

Se você achar que esta vida aqui é o começo e o fim, vai sempre encarar as coisas como DEUS QUIS ASSIM. É errado achar isso. Deus não quer nada. Ele está pronto. Nós é que precisamos aprender. Nós é que precisamos encontrar o eixo de nosso controle emocional.

Deus e o Universo são uma coisa só. Nós fazemos parte disso, portanto só precisamos aprender a ser deus.
Determine a partir da leitura deste texto que você é seu Deus. Irá ficar surpreso com o que irá acontecer com a sua vida... No mínimo acabarão as desculpas, justificativas e explicações pelos seus insucessos...
Cuide-se. A partir de agora sejamos, todos, um Deus sábio. Só querer e buscar isso já ajuda muito.

Sei que nos veremos
Beijo na alma


Somos Todos Um

Caranguejo

Observe que ser vulnerável e sensível é uma força não um defeito ou fraqueza; que viver guiado pelo coração não é um erro, mas uma virtude; que estar disponível para o amor não é uma fatalidade, mas um presente. Não existe poder maior que o da suavidade e o da leveza! Seja feliz! A sua sensibilidade é poder, se usada com maestria.

Sexta-feira, Agosto 29, 2008

É HOJE

A minha alegria atravessou o mar
e ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei !
Acredito
Acredito ser o mais valente nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!
É hoje o dia da alegria
É a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
nos versos que eu fiz
rabisquei agora um jota

mentir sei que não é feliz
revirei e encontrei resposta

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você."
Mário Quintana

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Não existem outras vidas, existem outras configurações mentais ou energéticas, outras fantasias, outras ilusões. A vida não reencarna nem desencarna, é o Espírito. É nossa única salvação da ilusão, no agora sem passado nem futuro.
Não confundir “espíritos” com Espírito.
Nós somos Espírito e “espíritos” é o que pensamos que somos, é a entidade que mantemos forçadamente com crenças e valores.
Com a mente apegada à idéia de outras vidas nos isolamos da vida real que Somos, da realidade eterna e libertadora do Ser, além do pensamento, agora.
A alma é um pensamento, uma negação de nossa realidade divina, que nos encanta com fantasias e nos prende à tosca idéia individual que fazemos de nós mesmos, seja neste mundo ou nos mundos espirituais. Esta é a vida dos mundos espirituais e a morte do Espírito.
Adão caindo do Paraíso é cada um de nós, neste exato momento, ao nos apegamos às idéias que fazemos de nós mesmos, ou de qualquer coisa ou situação que pensamos que conhecemos, limitando a realidade infinita que somos a uma idéia individual isolada do aparente resto. Fazemos uma “aparência” nossa e a projetamos fora. Quem isola um, isola dois e aí a loucura se inicia. Assim caímos do Nirvana, do Céu, que é o Eu para o inferno, que é o ego.
Isto é temeroso porque é uma mentira, uma tentativa jamais frutífera de isolamento da verdade una infinita, além dos universos. E por isto inventamos responsabilidades e compromissos como uma forma de auto-penalização, para podermos justificar o ato louco de querermos ser o que nunca fomos.
E sofremos unicamente por teimosia, por temermos o que é perpétuo e querermos perpetuar o transitório.
Quem diz que Deus está menos em você é a idéia limitada que você faz de si.

Rivaldo Andrade

Segunda-feira, Agosto 25, 2008

Domingo é o clássico dia sem postagens.
Mas segunda? E segunda?
Segunda é isso aí.

Lembro do velho garfield que odiava segundas feiras.
Eu até gosto, quando traz aquele sentido de "agilizar a vida".

Coisas pensadas no fim de semana, finalmente podem ser postas em prática.

Que não dure só o início.
Que não seja fogo de palha.

Que dure.
Que seja fogueira das boas.

Sábado, Agosto 23, 2008

Sin sangre en las venas.
Pero la buena suerte, en toda el alma.
yo sigo siendo sendo como tu.

con una e con otra.
una, duas mentiras.
Sublimando sonhos
Descompasso,
Fuga da razão
Chegada à razão

belos versos que poderiam estar no meio de alguma música do Zé Ramalho, estilo Avohai ou chão de giz.

rodoviária de maluco é posto de gasolina

Comandante Do Seu Coração

Comandante Do Seu Coração
Roberto Carlos

Composição: Roberto Carlos

Sei que vc sabe bem o que faz o que quer
Respeito o direito de toda mulher
Mas no amor os direitos são do coração
Tenho direito de ser e sonhar o que quero
Te amo e vc sabe bem o que espero
Vc vive solta mas na minha mão

Posso ser meio antiquado
Quem sabe, não sei
um amante a antiga
Como já falei, mas não posso mudar
Foi assim que aprendi

Que no amor cada um
É o dono do outro
Quem ama demais
Sempre quer mais um pouco
E é assim que te quero
Desde que te vi

Deixa eu pensar que sou dono do seu coração
Me deixar ser levado por essa ilusão
Entrar na sua vida, cuidar dos seus sonhos
deixa eu pensar que sou tudo que vc mais quer
Que vc numa boa faz o que eu quiser
Que me ama e não sabe, me dizer que não
Mas se vc quiser, tomo conta de tudo
Desatraco esse barco, traço nosso rumo
O Caminho do amor, eu sei a direção
Quero navegar com vc, nos mares da emoção
Desviar das tristezas e da solidão
Ser o comandante do seu coração.
Dias a toa, caminhando pelos becos dessa cidade imunda. Saio de um, vou para o outro. Diversão, busco diversão. As diversões secas, as preferidas de cidadãos como eu.
Havia cerca de um ano que eu lutava para não cair mais nesses becos. E hoje estou aqui, há dias nessa mesma. Diversão.
Perdi dois tipos de

Aqui eu paro e penso.
Brenda elucubrava, balançando seu corpo ao som do tambor. Gingava, balançava seus quadris. À medida em que chegava ao êxtase, o mesmo êxtase de quem esquece de tudo ao seu redor, deixava todos ao seu redor fascinados e extasiados com o que viam.
E era uma onda em que todos estavam, e ninguém ideava aonde ela iria.
Brenda, em sua mente, já nem pensava mais. Brenda era, Brenda estava.
Aconteceu de, em um momento, ela parar. Respirou, sentiu seu corpo suado, o calor vaporizando o suor. Sua vontade era de que aquele momento durasse eternamente.
novamente paro diante de um espaço em branco que, como deve ser, está doido para ser preenchido por palavras minhas.
E aí, tela branca do computador? que me diz? que faço para preenchê-la com o que há em mim?
com "o de melhor", talvez "o de pior" também.

Coisas que não existem em mim podem ser transpostas a esse espaço?
Fico sempre me perguntando de onde vem a criação.
De onde vem a criação?

É muito simplório dizer que é fruto de treino, prática, dedicação. Isso pode ser muito, muito, mas... só chega a ser 99% da criação.
Existe uma parte, que pode até ser ínfima, mas que sozinha faz toda a diferença.

É o um por cento da inspiração, da sorte, do talento, do dom, da força divina, do sopro de vida, dos 21 gramas.

Esta noite deverei escrever muito. Creio não estar inspirado, aqui, agora, treino técnica.

Pensei no efêmero, no quanto vale uma única noite.
Uma noite pode ser.

Penso no perene. Em uma única noite pode se transformar efemérides em perenidades?
Se pensar no conceito de que amanhã aqui não mais estarei, o que estou deixando é uma marca do que fui. Pode ser.

Esse treino de técnica está parecendo mais é uma viajação na maioneggs.


treino de técnica de sapo é lagoa.

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

pensamento

"Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir
melhor e mais feliz". Madre Teresa de Calcutá, 1910-1997

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

só para constar.

A vida está ótima.
Alegria e amor em todo o lugar.
Uma beleza.

Terça-feira, Agosto 19, 2008

o Palácio

Eis que na Dinamarca. Não a Dinamarca atual, da era atual. Uma Dinamarca antiga, na qual se inspirou a Dinamarca de hoje.
Eis que na Antiga Dinamarca, um impasse dividiu o reino em dois.
Criou-se uma fronteira, pela qual só transpunham aqueles que, bem justificados, precisavam muito chegar ao outro lado. A licença era concedida por poucos dias. O atrasado acabava correndo o risco de talvez nunca mais conseguir regressar ao lar.

Em ambos os lados se instaurou uma monarquia absolutista (fascista diriam os atuais), que tinha como cabeças, cada um de seu lado da fronteira, ninguém menos que o rei e a rainha.
Somente os monarcas sabiam o que haveria levado o reinado àquela situação calamitosa. Faziam questão de manter a história do cisma em absoluto segredo.

A população das duas metades ficaram desgostosas com a situação. Embaixadas e consulados foram construídos, às pressas no início, mas depois com o tempo, as relações diplomáticas só tenderam a se aperfeiçoar. Eis que quando tudo parecia prosperar novamente, houve novas rusgas entre as forças armadas das duas metades.

Nesta última liça, reação pesada e massiva das metades que já começavam a, por força das circunstâncias, agir como nação rival, uma vez que, quem não se enquadrasse ao novo regime, era severamente punido pelas leis reais. Tal força surgida dos ânimos da nação fizeram brotar das profundezas uma muralha de pedras com aproximadamente 30 metros de altura por 10 de largura. O comprimento fazia o desenho da fronteira entre as metades do reino da Antiga Dinamarca.

O rei, insatisfeito com os desenlaces do cisma, procura seus conselheiros de paz que, incorporam ares de alívio, pois até que enfim viam lucidez no olhar do rei, como diriam de um para o outro. Os conselheiros já haviam arquitetado a solução.

Chamariam o povo branco, que até então vivam serenamente, pois desconheciam a noção de que o reino estava dividido. O povo branco descendia de grandes operários da antiguidade mais antiga e esperavam há milhares de anos a chance de reestabelecer a união, como dantes fizeram seus antepassados.
Eram mais de dois milhões de operários zarpando em enormes navios, da Gronelândia para os inúmeros portos da Antiga Dinamarca.

Seriam eles, utilizando refinadas técnicas, os responsáveis por derrubar os muros a manobras certeiras de pás e picaretas, diria um dos conselheiros de paz ao rei ainda aturdido com o número de trabalhadores dispostos a estabelecer a paz. Mas o que fazer com as pedras, emendaria o rei, clamando, meio que sabendo que os conselheiros haviam pensado em tudo.

Construíremos um plácido palácio das pedras que forem retiradas do muro. Os maiores arquitetos estão colaborando com todos os detalhes técnicos e artísticos do projeto do plácido palácio de pedras.
O rei com cara de interrogação foi calado por uma antecipação à sua pergunta. Não, não será vossa alteza que irá pisar e habitar os pisos do palácio. Ofereceremos à rainha, à toda sua corte e povo, o palácio como um presente de paz.
O rei, incapaz de compreender as reais intensões do conselho de paz, baixou o decreto que cederia o palácio à sua esposa, rainha do reino rival.

continua...

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Abraço

If you know who you are.

Venha para meu mundo.

Guarda pedras e paus.

Baixa guarda, retira armaduras.

Desafoga mágoas, mergulha em teu ser.

Ao chegar à tona, pisca um de seus olhos.

Acena com uma das mãos.

Volta teu olhar para o meu.

Observa quem eu sou.

Fuja, ou então, viva de amor.

Se a opção é viver de amar.

Abra seus braços e te junta a mim, em um abraço.

Sábado, Agosto 16, 2008

Algo não cheira bem no reino da Dinamarca

O solilóquio de Hamlet
(Ato III, Cena 1)


Ser ou não ser; essa é toda a questão:
Se mais nobre é em mente suportar
Dardos e flechas de ultrajante sina
Ou tomar armas contra um mar de angústias
E firme, dar-lhes fim. Morrer: dormir;
Não mais; dizer que um sono porá fim
À dor do coração e aos mil embates
De que é herdeira a carne!... é um desenlace
A aspirar com fervor. Morrer, dormir;
Dormir, talvez sonhar: eis o dilema,
Pois no sono da morte quaisquer sonhos
- Ao nos livrarmos deste caos mortal -
A paz nos devem dar. Esta é a razão
De a vida longa ser calamidade,
Pois quem do mundo os males sofreria:
A injustiça, a opressão, a vã injúria,
O amor magoado, as delongas da lei,
O abuso do poder e a humilhação
Que do indigno o valoroso sofre,
Quando ele próprio a paz encontraria
Em seu punhal? Quem fardo arrastaria,
Grunhindo, suarento, em triste vida,
Senão porque o pavor do após-a-morte
- Ignota região de cujas linhas
Não se volta - a vontade nos confunde
E nos faz preferir males que temos
A buscar outros que desconhecemos?
Assim nos faz covardes a consciência,
E o natural fulgor da decisão
Sucumbe à débil luz da reflexão;
E assim projetos de vigor e urgência
Em vista disto seus cursos desviam
E perdem o nome de ação. Oh, cala-te!
A bela Ofélia! - Ninfa, em tuas preces
Lembrados sejam todos meus pecados.*

mais frases soltas. de improviso. minhas ou não.

Não vim pra ficar

Categoria de células, que vibram conforme o humor

Dia a dia, sol a sol

O importante é o que vale

Vale mais um na mão do que dois em duas mãos

Pecando pelo excesso eu digo que é melhor

É melhor matar ou morrer? Mato ou morro? Vou pro mar

Quando numa encruzilhada, deparar com dois caminhos, pare.

À esquerda, um caminho.

À direita, outro.

Continuar parado não dá.

Outro caminho deve haver.

O caminho do meio, que ninguém havia citado a existência.

lua cheia

lua linda lá fora.

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

a rosa de Pixinguinha

A rosa que Pixinguinha me deu.
coloquei ela na terra, que a adotou
e brotou
da flor, roseira.
quem diria, Pixinguinha, que de uma linda flor...
bela roseira, belos frutos, sementes

Entreguei suas sementes
com a alma da mais linda flor
aos cuidados de uma amante de um beija-flor
à luz das estrelas, nua provocante
de gestos delicados esperando seu amor

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Pablo, o comedor de cérebros

divididas as porções em porções menores. ficam mini-porções.
esta é a porção que será comercializada.

estou doido doido doido para reescrever

Donpeledan Lerner Requião, herdeiro do casamento mais comentado e conturbado do século 21.
Diretor teatral, responsável pela mais surpreendente inovação estética no teatro curitibano (nacional pois, sim, nessa época o teatro curitibano será referência nacional).
aguarde


Pablo, o comedor de cérebros veio me pedir um cigarro.
Justo a mim, que tenho medo de epítetos.

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Viver e aprender a jogar

Carecendo de tempo ou inspiração?

Usurpação de bens alheios.

Aquisição de linguagem alheia.

rememoração de passados pérfidos.

existem.

mais de dois tipos de coisas.

Em cada coisa.

Múltiplas dimensões.

Passados se misturam.

A história contada depende do ponto de vista do contador.

Números, números, números.

Rejeito qualquer tentativa de aborto.

A tentativa.

Estamos.

Pensamentos adquiridos.

Cultura desenvolvida.

Mastigo, cuspo, engulo.

Pratico digestão.

Rumino.

Reminiscências.

Rememoro o que não posso mais recuperar pela via física.

A cabeça funciona.

Histórias passadas.

Passado relembrado.

Como havia prometido.

A tentativa de manter regularidade.

Após uma pequena pausa.

Após o bebê conseguir equilibrar-se no chão, a queda.

Após cair de bunda no chão, o medo.

Após o medo, a nova tentativa.

Nunca mais será igual.

Conheceu a dor de cair de bunda. Sabe, ou pelo menos imagina que sabe, o que foi que acarretou a caída "de bunda".

Da próxima vez será diferente.

Pode até não ser, mas, e daí?

Viver e aprender a jogar.

Ter algo subtraído

E quando vai tudo, e fica o cachecol?

Domingo, Agosto 10, 2008

a vida, a golpes certeiros, demonstra

toda esquina é uma chance de um caminho novo

Domingo, Agosto 03, 2008

rodaMundo

Qual nuvem branca
ontem não chorou
ao se ver cinzenta?

Chorar é um enigma
Ontem não chorou
quem nunca teve amor

Amar é ter firmeza
Não é só apaixonar
é rir, também chorar

Apaixonado ela estava
Quando disse que amava.
A palavra definiu o amor

Definido ele estava
Definida ela estava
Homem e mulher, tudo já mudava.

Mudando tudo estava
Quando um não aguentou:
Despediu de seu amor

Tudo já girava
Chegou a roda grande
conforme se previa


Roda grande poderosa
Nem a eles perdoou,
Rodando, quase tudo carregou.

Roda da Vida
Começa mais um ciclo
Encerra mais um outro.


22.05.2008

Sábado, Agosto 02, 2008

na hora em que me perguntaram
eu só ria
eu sorria

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

Arrumando um pouco.








3, 2, 1

Quinta-feira, Julho 31, 2008

Para raros

olhe só.
sem postagem ontem.

dia de profundidade na vida.
dia de ganhar o dia.
dia para guardar pra sempre.

a magia da vida, pairou no ar.
nesse dia, não só nesse dia.
nos que antecederam.

nos que virão.

só para raros.

Segunda-feira, Julho 28, 2008

O Workshop de Xamanismo

Isso chegou algum dia em meu computador. Nem sei bem como. É um pouco longo, um pouco absurdo. Mas tem coisas hilárias. Vale bem a pena.

Por: Valdenir Benedetti


INTRODUÇÃO

E lá fui eu no tal de workshop de xamanismo. Bem, faz tempo que minha mulher tá insistindo que eu tenho que entrar na nova era, que eu já era, que não to com nada. Dai li o anúncio do tal de workshop de xamanismo. Que coisa meu! Se tem um nome desses deve ser muito legal. Workshop, venda de trabalho né? Bem, vamos lá. Tá na hora de eu tomar uma atitude na vida mesmo, como vive dizendo a Rosinha todo dia.
Sei lá como apareceu um folheto em minha mesa, achei até que era gozação dos colegas. O pessoal aqui da firma é muito gozador. Colorido, bonito, cheio de desenhos de animais, tigres, águias, coisa linda mesmo. Anunciava um curso de final de semana que prometia resgatar nosso poder interior, conectar a gente com a luz (isso me impressionou), resgatar nosso animal de poder, enfim, algumas coisas que eu não fazia a menor idéia do que se tratavam. O "facilitador" era um gringo bonitão de rabo de cavalo nos cabelos e olhar penetrante. Bem, "facilitador"
deve ser uma coisa bem moderna, bem nova era.
Liguei para pedir informações, a mocinha que me atendeu foi muito simpática. Só que se espantou um pouco quando eu disse a ela que eu era auxiliar de contas a pagar. O que um auxiliar de contas a pagar vai fazer num trabalho desses? Bem, fiquei imaginando que tipo de pessoas faria um tal de workshop de xamanismo, ainda mais com um especialista americano que diziam ser o ó do assunto. Será que auxiliar de contas a pagar não é gente? Não pode querer evoluir e se encontrar, como era prometido no anúncio?
Bem, eu não sou uma pessoa lá muito sofisticada. Tive que trabalhar a vida inteira para me sustentar e depois que eu casei então ficou mais complicado ainda. Hora extra todo fim de semana e algum bico para ajudar nas despesas, tipo fazer imposto de renda do povo no começo do ano, época que faturo um pouquinho mais. Só por isso tinha uma reservinha para fazer o tal do workshop e tentar "dar um salto quântico na minha vida", como dizia o folheto, e seja lá o que for "salto quântico" na vida da gente. Bem, to imaginando que pelo preço não deve ser algo que doa. Só no bolso né?
Bem, vou contar pra vocês a historia desse curso de final de semana que por se chamar workshop custa os olhos da cara. Esse povo é sabido pacas. Mas também tem uma coisa, agora estou na nova era! Paguei meu pedágio. Se nao valeu ainda, só o ano que vem vou poder fazer outro. Dessa vez vai ser de renascimento, vocês vão ver só!!!
Bem, vamos lá.

Primeira Parte- A CHEGADA
Bem, antes de falar da chegada, deixa eu falar da partida.
Rosinha estava orgulhosa. Fazia tempo que eu não via ela aprovar nada do que eu fazia. Só reclamava de meus amigos e do futebol no fim de semana, nao sei porque ela se incomodava tanto. Era para manter o físico ué, afinal a barriguinha já estava ficando proeminente e lá pelo menos eu gastava um pouco da cerveja consumida no happi hour de sexta feira com os colegas da firma.
As crianças estavam felizes, parece que o contentamento da mãe pegou nelas. Nesse momento eu vi que estava fazendo a coisa certa, até me esqueci da falta que ia fazer a grana que estava gastando e, cheio de orgulho e de vontade parti para o ponto de encontro para ir ao workshop.
Fomos de "besta", um grupo de umas 15 pessoas. O guru americano e as organizadoras (sempre são mulheres, ouvi dizer, sabe Deus porque) foram de carro na frente. Foi meu primeiro contato com os fazedores de workshop e futuros xamãs. Coisa interessante, gente de todo tipo, mas ninguém que fosse um auxiliar de contas a pagar como eu. Me senti meio inferiorizado no meio daquele povo, umas gatinhas com cara de inteligente, uns rapazes cabeludos com cara de "especial", só gente diferente, tipo meio cult dessas que se encontra em festival de cinema europeu e concerto de jazz, e só ai reparei que estava de gravata. Saco! Tentei tirar disfarçado rapidinho, mas nem sei se consegui. De qualquer forma, todo mundo fez que não viu. A gravata é tão natural para mim que parece que faz parte de meu corpo. Também, mais de 20 anos de escritório usando esse treco no pescoço, até sinto falta quando estou sem ela. É uma verdadeira amiga que me consola nos momentos de agonia, eu fico alisando ela, suave, gostosinha, até sinto falta daquele apertadinho quentinho quando estou sem ela.
Mais tarde aprendi, durante o curso, que a gravata é um objeto de poder pra mim. O americano que sabia tudo de tudo que me disse, quer dizer, a tradutora que ficava babando e parecia mais importante que ele me disse que ele disse e eu tive que acreditar, mesmo porque o máximo que eu sei falar de inglês é big mac e coca cola. Mas quem diria hein? A prosaica gravata é um objeto de poder! Quando o povo do escritório souber que essa coisa colorida é um objeto de poder vai rachar o bico. Mas eu gostei e senti menos vergonha de ter que usar essa coisa todo dia.
Bem, mas vamos falar da chegada propriamente dita.
O lugar, um sitio especialmente preparado para esse tipo de coisas. Com chalés e estrutura bem boa, grama linda e árvores. A dona do lugar, vestida com saias longas, coloridas e manchadas, cheia de pulseiras, colares e aneis, com um cabelo que era simplesmente indescritível e por isso não vou nem me arriscar a descreve-lo, era uma tal de Nuvem Purpura, bem, ela disse que esse era mesmo o nome dela, Nuvem Púrpura da Silva, e que seu pai era fã apaixonado por um tal de Hendrix, mas que preferia ser chamada de "Shandranua" que é o nome que um guru indiano deu uma vez pra ela. Bem, vai entender esse povo né?
Nuvem Purpura, quer dizer, Shandranua recebeu a todos com um sorriso, e abraçou cada um de nós, homens e mulheres, com uma certa intensidade e intimidade. Bem apertadinho. Parecia que estava recebendo um amante que tinha saído pra comprar cigarros e voltou uns 15 anos depois. Fiquei completamente sem graça com aquela dona me apertando, inclusive na parte de baixo, quase um amasso. Que coisa meu! Acho esse povo muito estranho, mas vou relaxar porque senão vai ser difícil aceitar isso. Se a Rosinha abraçasse um cara como essa dona me pegou eu largava dela na hora.
O povo, depois dessa cumprimentação toda, pegou suas tralhas e cada um foi pro chalé que a dona do "amasso" indicou. Todo mundo tinha mochila e umas sacolinhas coloridas, só eu estava com minha mala de viagem chinesa. Ninguém me avisou disso, que saco.
Fiquei num quarto com mais três caras, um deles, o mais jovem, era o filho de um milionário que estava buscando uma alternativa existencial de renovação, a conselho de seu psiquiatra. Esse ai tinha que tomar uns 4 ou 5 comprimidos antes de dormir, e outro tanto durante o dia, mas mesmo assim, de vez em quando escorria um fino fio de baba do lado esquerdo de sua boca, mas estranhamente, parece que ninguém reparava nisso, só eu. Será que sou muito babaca ou muito preconceituoso?
O outro era um executivo que vivia fazendo cursos para encontrar a si mesmo. Ele já tinha ido até para a India e o Nepal, tinha ido para Ilha de Pascoa e Machu Pichu, tudo em busca de si mesmo. Achei muito esquisito esse papo porque não entendi nada. O cara tava ai na minha frente e saia pra procurar ele do outro lado do mundo? Perguntei se ele tinha se encontrado, e ele disse que estava em processo, estava cada vez mais próximo de si mesmo. Cara! Que piração. Acho que o cara era doidinho com esse papo. Coisa mais esquizofrênica sô!
Meu outro companheiro de quarto era um gay assumido, um intelectual que sabia tudo de candomblé. Acho que o cara era até meio pai de santo, só falava de Ogum, Oxum, Ananaraie não sei o que e coisas assim. Ninguem ligava que o cara era viado, que no meio desse povo que está em busca da "verdade" num curso de final de semana não cabe preconceito de tipo nenhum. Claro que eu disfarcei e nem tirei um sarro do boiola, achei melhor fingir que nem ligava de ficar num quarto com um viadinho. Resisti bravamente à tentação de tirar uma com o cara, mas enfim, acho que ja comecei a evoluir e entrar na nova era, deve ser por ai o
caminho. Puxa! O curso já começou a fazer efeito e nem começou de verdade ainda! Que coisa hein? Ta valendo a grana! Rosinha vai pirar com o novo cara que vai voltar dessa vivencia, ops, desse workshop.
Depois de uma sopa com gosto de incenso e algum negócio natureba meio gosmento que prefiro nem saber o que é, fomos dormir.
Bem, aconteceu o seguinte nessa primeira noite: o pai de santo gay falava coisas em africano a noite inteira, era um tal de "ogunhe salun salamalun poroxotóqui" que não acabava mais. O rapaz dos comprimidos dava pulos e gritava a noite inteira igual um deseperado sendo espremido num moedor de cana. O executivo peregrino gemia muito e no meio dos gemidos gritava "mami, mami, não me abandone" com vozinha de criança. Bem, acho que ninguém se incomodou com meus roncos, se bem que só consegui dormir de madrugada.
Segunda Parte – Acho que vai Começar o Workshop
Eu gosto de todo tipo de musica, do bolero ao samba canção, do rock ao axé e por isso não estou muito acostumado com esse tipo de musica que fica nhénnnn nhénnnn nhénnnn que não acaba mais, e de vez em quanto toca um sininho no meio. Eu ficava esperando a hora que tocava o sininho para tentar ficar acordado e me distrair um pouco. E olha que tocava o dia todo, quase não dava para perceber quando mudava de uma musica para outra. Chegou uma hora que eu nem escutava mais, ainda bem, senão seria um sono só. Que chatura aquilo!
E foi com uma musica dessas, tocada a todo volume, que acordaram a gente. Bem, no começo eu não sabia que aquilo era musica, demorei pra entender o negócio. Um gemido sem fim com umas batidinhas no meio e o inevitável sininho que fazia "pin", mas só que demorava pra caramba esse "pin". No começo, ainda meio sonado, achei que era parte dos roncos ou da sinfonia de gemidos daquele povo, mas no fim acabei sacando que aquilo era a musica de workshop. Parece que são todos mais ou menos assim, ouvi dizer. Deu até saudades de um sambinha.
Eram seis da matina e tivemos todos que pular da cama, principalmente na hora que a Shandranua entrou no quarto e com sua voz "new age" (sim, por incrível que pareça existe isso. Todo mundo aprende falar com voz new age nesses workshops) e foi, meio ronronante, meio sussurante dizendo: "bom dia meus irmãozinhos! Está um lindo dia! O pai sol está sorrindo para nós! Vamos todos despertar para a vida! O céu está azul radiante! Os passáros estão cantando sua sinfonia!" e mais uma seqüência de frases do tipo que dava mesmo era vontade
de continuar dormindo.Fomos todos para o salão de refeições. Todo mundo com cheiro de banho tomado e aquele cheiro de shampo de flores silvestres, e prontos para começar nossa
aventura do auto-conhecimento, como ouvi alguém dizer.
O café da manhã foi muito bom. Pão integral feito em casa, leite tirado diretamente da vaquinha da casa, queijo feito em casa, ovos das galinhas da casa, café plantado e colhido em casa, manteiga feita em casa, geléia feita em casa. Tudo natural e bom, e se eu encontrar vendendo dessa marca por ai vou comprar pra levar pra Rosinha. Ela vai gostar.
Shandranua, nossa anfitriã, não parava de elogiar as coisas "feitas em casa" dela. E todo mundo concordava para ver se ela parava um pouco de falar, mas não
funcionou muito.
O nosso "faciltador", que chamarei de Mr. Hi (porque é assim que o pessoal o chamava) tomou café da manhã junto com todo mundo, quer dizer, em uma mesa tomada pelas suas fãs. O cara é mesmo um gostosão, mas acho que vou me controlar nesses meus comentários senão vão pensar que eu estava com inveja. Vai que o cara é gay né? (ops! Olha a inveja rapaz!)
Quando todo mundo terminou de encher a pança, Mr. Hi se levantou e foi para o páteo o¬nde aconteceriam os trabalhos. Todos se levantaram e o seguiram.
TERCEIRA PARTE – Finalmente começa o Workshop (ufa!)
Eu confesso que estava meio sem graça com aquele povo. Eles eram muito diferentes de mim, e apesar de ninguém me olhar de modo esquisito, eu achei que esse negócio de não olhar com estranheza para os esquisitos (pra eles eu era o que? Um tremendo esquisito, claro) era um procedimento padrão, afinal, esquisitos é o que não faltava ali.
O primeiro exercício foi a apresentação de todo mundo. Cada um de nós tinha que escolher um "nome de trabalho" que seria usado durante todo o final de semana, e se a pessoa gostasse do nome, podia adota-lo para o resto da vida.
Seria nosso "nome de guerreiro".
Graças a Deus que não entrei nessa, e vocês saberão já porque.
O nome tinha que ser correspondente ao que estava sentindo em relação a si mesmo, e o Mr. Hi insistiu que deveriamos ser verdadeiros, mesmo que o nome fosse uma coisa feia ou meio ridículo.
Bem, eu estava me sentindo absolutamente ridículo no meio daquilo tudo, e fazendo o maior esforço para não me arrepender de não ter usado aquela grana toda para trocar os pneus do carro da Rosinha (só ela tem carro em casa), que bem que estavam precisando... bem, mas não era hora de pensar nisso. Era hora de escolher um nome que revelasse meu sentimento sobre mim mesmo naquele instante. Ridículo não seria um nome muito apropriado, até mesmo porque já não era mais original. É como, já que estou na chuva é pra me molhar, então vou levar o negócio a sério e vou até o fim, doa o quanto doer. Eu preciso entrar nessa tal de nova era pra ver se a Rosinha fica mais carinhosa um pouquinho comigo e para de me criticar e me chamar de quadrado e múmia e coisas assim.
Escolhi o nome que revelava exatamente como eu estava me sentindo no meio daquele povo.
Eu prestei bastante atenção na primeira pessoa que parou na minha frente para nos apresentarmos. Era uma moça muito bonita, provavelmente daquelas que andam em seus carrinhos que nem relâmpago no transito, para desespero dos motoristas de taxi, tipo carinha de estudante de psicologia da PUC ou algo assim. O olhar um tanto blazê, mas que era bonitinha era.
"Eu sou Morgana, estudante de psicologia" disse ela me olhando nos olhos (puxa, adivinhei que ela era estudante de psicologia, eita workshop danado de bom esse! Já estou "abrindo os canais", como dizem).
Nossa! Que nome legal essa mulher escolheu. Muito criativo e original. O¬nde será que ela arrumou um nome desses? Fiquei até meio com vergonha de dar o nome que eu tinha pensado, não era tão especial e inédito assim, mas como eu resolvi assumir a verdade doesse o quanto doesse, fui em frente e disse: "Sou Bocó", ao seu dispor!
Que merda! A mulher caiu na gargalhada! Saco! Eu sabia, eu bem que sabia que tinha que ter escolhido um nome mais legal! Quis ser honesto e me ferrei. A mocinha não conseguia para de rir.
Todos os outros ficaram meio assim sem graça porque não estavam entendendo o que estava acontecendo, mas quando ela ria histericamente e dizia "Bocó, ahahahaha, Bocó, ahahahaha" alguém perguntou: "porque você está agindo assim com o rapaz?" (eu era o rapaz, claro), e ela só conseguia dizer: "bocó! Ahahahaha, bocó! Ahahahaah". Já estava ficando chato aquilo. Eu estava mais vermelho que um pimentão, como dizem.
De repente alguém entendeu que "Bocó" era o meu apelido nova era (esqueceram de que era para expressar o sentimento do momento, conforme orientou o Mr. Hi), e um por um foram todos caindo na gargalhada e foi o maior tumulto!
A tradutora assistente do Mr. Hi (será que ele estava comendo ela?) apareceu com um sininho no qual ela batia histericamente com um pauzinho tentando acalmar a turma, mas demorou um pouco para as risadas pararem, e mesmo assim de vez em quando algum riso meio soluçado escapava de alguém, ameaçando detonar novamente a o¬nda de gargalhadas.
Acho que o povo estava com muita tensão reprimida, por isso riram tanto. Uma psicóloga do grupo me explicou isso mais tarde. Bem deve ser, mas que ela riu até ter que ir fazer xixi correndo, riu, que eu vi!
Bem, seja como for, já me tornei de imediato o cara mais popular da turma, era um tal de Bocó pra cá, Bocó pra lá que não acabava mais. De vez em quando alguém dizia "pergunta pro Bocó". Bem, acho que era alguma ironia de gente mais presunçosa, mas prefiro pensar que quem vem buscar auto conhecimento nesses cursos é gente que, por não ter ainda o auto conhecimento e por isso mesmo pagou para vir buscar, respeita a falha e deficiência de auto conhecimento dos outros. Vou pensar assim para não achar meus companheiros de workshop uns metidos a besta. Me recuso a acreditar que gente metida a besta venha fazer esse tipo de trabalho.
Bem, depois dessa interrupção toda, continuaram as apresentações.
Parei em frente à pessoa seguinte, uma mulher com cara de séria, psicóloga já formada na Puc e ela disse: "Feiticeira da Noite, psicologa". Bem, Feiticeira da Noite deve ser o que ela estava sentindo quando escolheu esse nome. Que tipo de sentimento é esse não sei, mas deve ter a ver alguma coisa com a vontade de ser bruxa. Até que, pelo tamanho do nariz dela, ela não teria muita dificuldade para chegar lá. Já tinha mais de meio caminho andado (ops! Comporte-se rapaz!
Esse tipo de comentário jocoso não é próprio de gente do auto conhecimento).
"Bocó, auxiliar de contas a pagar" disse eu, olhando fixo nos olhos dela. Bem, ela não caiu na gargalhada, mas acho que teve que fazer tanta força pra segurar a risada que teve que ir correndo de novo no banheiro pra soltar o ar reprimido dentro dela. Foi essa mesma que me disse a analise dela dos conteúdos reprimidos e tal do povo. Bem...
Acho que vou pular as apresentações que o assunto está entediante. Entre risadas apertadas e disfarçadas e um monte de Fadas do Entardecer, Guerreiro do Infinito, Raio de Sol, Duende da Harmonia, Liliths e outras combinações disso mais aquilo, todo mundo acabou se apresentando e Mr. Hi, que tinha ficado sentado em uma cadeirona bebendo uma laranjada enquanto nos submetíamos àquela primeira experiência, levantou-se, pegou um tambor cheio de penas penduradas e disse:
"You ta ta ta, ta ta ta, te te te, ay, ay ,ay...." que a tradutora (graças a Deus!) traduziu assim: "Vocês agora vão fazer uma viagem ao túnel do inconsciente para encontrar seu animal de poder!" (de agora em diante vou pular a fala do Mr. Hi que não entendo patavina de inglês e vou direto pra fala da tradutora).
É o seguinte, tínhamos que relaxar, imaginar estar entrando em uma floresta e caminhar ao som das batidas do tambor, caminhar, caminhar até encontrar a entrada de uma caverna. Daí a gente entrava na caverna e ia andando até encontrar um animal. Mr. Hi disse que tinha certeza que encontraríamos um animal em nosso caminho. Provavelmente ele se aproximaria da gente e iria se comunicar de alguma forma. Deveríamos trazer esse animal conosco no retorno de nossa viagem xamânica e ele seria um tipo de companheiro para o resto de nossas vidas, e seria o nosso animal de poder, ao qual poderíamos recorrer sempre que houvesse necessidade.
Bem, vamos lá né gente? Deitei no colchonete e fiquei ligado no tambor, fazendo direitinho o que foi falado para fazer. Caminhei um bocado pela floresta e nada de achar a tal caverna. Saco! Comecei a ficar meio aflito que não tinha caverna nenhuma. Sera que eu não estava fazendo direito? Abri um olho e dei uma espiada disfarçada pro lado. Todo mundo que eu vi estava com a maior cara de felicidade, pareciam estar indo para o paraíso. Saco! Saco! Saco!
Lembrei da grana que tinha pago para fazer esse workshop. Foi dinheiro economizado das horas extras que eu fiz de final de semana. Dinheiro suado, economizado tostão por tostão do que a gente conseguia fazer sobrar comprando carne de segunda, deixando de ir no cinema e nunca gastando dinheiro em restaurantes. Até pizza a Rosinha fazia em casa pra gente economizar que na pizzaria fica muito cara e feita em casa sai bem baratinho. E olha que a pizza da Rosinha é um arrazo, especialmente a de catupiri com alho e uma que ela inventou de chicória, alho e erva-doce, acho que meio uma pizza assim nova era não é? Lembrei das crianças e do que poderia ter comprado para elas, o videogame que o Edenilson, o mais velho, tanto queria, a boneca Barbie que era o sonho da Edinalva, a mais novinha. Saco!
E o tambor batendo, e nada de caverna.
Estava pensando na Rosinha. No que eu diria pra ela? Ela estava tão feliz por eu ter pela primeira vez na vida ousado fazer alguma coisa diferente. Eu não podia
decepciona-la, tinha que encontrar meu animal de poder.
Estava imerso nesses pensamentos quando e repente o tambor parou. Mr. Hi disse para voltarmos lentamente e trazermos em nossa consciência e em nossos corações o animal que tínhamos encontrado na caverna. Esse seria nosso animal de poder.
Bem, não tinha passado nem meia hora. Como esse povo é esperto e rápido hein? Acho que tenho mesmo muito que aprender.
Eu estava morrendo de vergonha e arrependimento. Já me sentia ridículo e humilhado por causa do nome de guerreiro que tinha escolhido em minha inocência de querer ser honesto comigo mesmo. Estava agora me sentindo mais fraco e ridículo ainda, pois todos foram se levantando com um sorriso vitorioso, provavelmente trazendo seus animais de poder junto e eu, nadica de nada. Saco!
O que eu diria para Rosinha?
"Posso falar?" quase que gritou uma moça.
"Pode sim, Violeta Cósmica" Disse o Mr. Hi, "estamos aqui para compartilhar nossas experiências entre todos".
Gente, realmente a voz de "new age" do Mr. Hi era demais! Passava uma serenidade e sabedoria de arrepiar, mesmo pra quem não sabia falar ingles como eu. Além do mais, o cara lembrava o nome de todo mundo! Que memória.
Bem mas também, "Violeta Cósmica" é de lascar, até eu lembrava esse, e me lembro inclusive que fiquei um tempão pensando em como essa figura foi encontrar um nome desses. Que coisa.
"Eu encontrei a caverna", disse ela com sua voz meio pro tipo daquelas moças que anunciam a chegada e partida de aviões no aeroporto, o¬nde aliás as crianças adoram ir aos domingos ver avião subindo e descendo.
"E fui escorregando para dentro dela até que ficou plano e eu cheguei em um caminho cheio de flores lindas e perfumadas, todas branquinhas", prosseguiu a moça.
Nessa altura eu já estava com a maior inveja da Violeta! Além de eu não ter encontrado porcaria de caverna nenhuma, a dela ainda tinha arranjo de flores! Pode uma coisa dessas? Imaginei até a igreja no dia do meu casamento, tinha flores brancas em todo o caminho até o altar, exigência da Rosinha (lembro que custou uma nota esse capricho, ainda bem que o tio rico dela pagou tudo). Ela ia adorar a viagem xamânica da Violeta Cósmica.
"Depois de muito caminhar por esse caminho lindo e suave, saltar alguns regatos de águas cristalinas e puras...", bem, daí acho que ela estava exagerando um
pouco. Como podia saber que as águas dos tais regatos eram puras? Bom, acho que um riacho dentro de uma caverna xamanica só pode ter água pura, tem lógica.Então ela prosseguiu: "... então eu vi uma sombra se movendo por traz das touceiras de flores. Levei um susto e quase voltei pra consciencia. A sombra ia e
vinha, não dava para ver direito o que era, passava por traz das árvores, até que de repente deu um salto e caiu em pé na minha frente. Era um gorila enorme. Preto. Imenso. Com braços enormes e musculosos, e um peitão incrível. Seus dentes eram muito brancos e assustadores, mas eu não tive medo. Ele me olhou com muita ternura e me pegou em seus braços..."
Ops! Meu Deus! Eu nessa hora não resisti de ter um pensamento bem safado sobre as preferencias sexuais da moça, mas escondi rapidinho o pensamento que afinal de contas estávamos em um grupo xamanico em busca do auto conhecimento e não era lugar de ficar pensando safadezas.
"Então", disse Violeta, "ele me trouxe de volta para a superficie, para a floresta e veio comigo. Sinto ele dentro de mim. Sinto o poder do gorila dentro de meu
ser..."
Nesse instante Mr. Hi, que estava ouvindo tudo pela boca da tradutora, que pensando bem, era bem interessante e parecia muito íntima dele, bem, Mr. Hi interrompeu a historia da Violeta Cósmica e disse:
"Muito bem, voce encontrou teu animal de poder. É um animal poderoso que vai te proteger e cuidar de você. Nenhum mal pode te acontecer com esse gorila junto com você. Ele lhe dará força e sabedoria".
Meu Deus! Como eu posso viver sem um animal de poder, pensei eu. Como pude viver até agora sem a proteção de um animal para cuidar de mim e me guiar? Acho que é por isso que minha vida tem sido tão difícil. Eu preciso encontrar a tal caverna, preciso muito! Já me sentia quase desesperado. Rosinha tinha razão! Eu
precisava entrar na tal de nova era pra descobrir essa lacuna na minha vida e porque me sentia tantas vezes tão vazio e sem sentido. Nesse instante o pai de santo gay levantou a mão e pediu licença para falar.
"Eu quero contar minha jornada ao tunel do inconsciente", disse com força na voz. Bem, ele não tinha voz assim efeminada, pelo contrário, tinha uma voz forte bem de macho. Vai entender.
"Eu entrei no túnel e logo veio um leão se aproximando. O leão era enorme, com sua juba dourada pelos raios do sol. Chegou perto de mim e disse: sou o leão que te acompanha, sempre lutarei por você contra seus inimigos, sempre o deixarei forte e poderoso. Agradeci a ele por ser meu companheiro e lhe perguntei o nome. Buguiu N’agun Dalelê, disse ele, que quer dizer ‘poderoso rei das savanas’"
Agora foi demais! O cara é o maior viadinho, mesmo com essa aparência de macho e esse cavanhaquinho de personagem de novela. Não engana ninguém. Pô, o animal do cara é um baita leãozão! Como pode? Eu que sigo minha vida direitinho, respeito minha Rosinha, cuido dos meus filhos, trabalho feito uma mula para dar de comer a eles, nem perto do tal do túnel cheguei? Caramba, tá me dando a maior frustração essa situação. Será que por não ser sofisticado como esse povo todo eu não mereço encontrar meu animalzinho? O do cara é um leão que fala e até tem nome! Caramba!
Nesse instante o Mr. Hi interrompeu minhas lamentações mentais dizendo:
"Meu caro Querubim! Que belo animal você tem! Ele te protegera e te acompanhará em sua caminhada pelas savanas da vida"
E eu pensei, ah! Querubim! Vê se pode. O nome de guerreiro do cara é nome de anjinho, ah! Esse não engana ninguém. Se o pessoal da firma estivesse aqui iam cair matando tirando o sarro dele. Viado eles não perdoam.
Então, depois de mais umas 3 ou 4 jornadas maravilhosas por lugares fantásticos e, que nem se fosse para imaginar o tempo que tivemos daria, o Mr. Hi virou-se pra mim e disse:
"And You, Mr. Bocó?" e mais uns trecos que a tradutora traduziu, sobre eu contar minha jornada.
Eu fiquei entre mentir e inventar uma historia bem mirabolante como as que tinha ouvido, ou dizer a verdade. Bem, achei melhor dizer a verdade, pois se eu não tinha conseguido nem achar a caverna talvez a incompetencia não fosse só minha. Talvez o tempo tenha sido curto demais, ou talvez ele não tenha batido
direitinho no tambor, quem sabe?
QUARTA PARTE – Encontro com meu animal de poder, finalmente!
Falei que não tinha conseguido encontrar a boca da caverna do inconsciente ou seja lá o que for. Mr. Hi se mostrou preocupado e atento e me mandou deitar no chão e relaxar. Pediu para que todos os outros fizessem um circulo em volta de mim e ficassem me mandando sua energia com as mãos.
Disse que o primeiro animal que eu encontrasse seria meu animal de poder. Garantiu que ele estava esperando por mim em algum ponto do caminho, para eu não ter medo, para eu acreditar, etc, etc.
Deitei e vi aquele povo todo com as mãos apontadas para mim tremelicando os dedos. Achei engraçado. Aprendi, eu acho, que é assim que se faz para passar
energia com as mãos. Achei interessante que todos eles já pareciam saber como era isso.
Relaxei o quanto pude com aquele bando de gente fazendo cócegas à distancia em mim e, ouvindo o tam tam do tambor do xamã. Me imaginei caminhando pela floresta e realmente encontrei a entrada de um buraco. Entrei lá e estava tudo escuro. Não tinha flor nem nada. Fui andando e meus olhos se acostumaram com a escuridão. Parece que andei uma eternidade e nada de animal nenhum aparecer.
Depois do que pareciam séculos, logo em seguida a uma curva do tunel que não tinha nada nem de bonito e nem de engraçado, era só um buraco na terra, dei de cara com, bem, vocês não imaginam com o que!
Uma barata enorme! Daquelas marronzonas e pata cheia de espetinho. Das bitelas mesmo. Nunca tinha visto uma tão grande.
A barata me olhou e eu olhei para ela. Nem sei se aquilo eram olhos, mas achei que eram. As antenas mexendo de um lado para o outro sem parar. Fiquei com
nojo do bicho, fiquei com medo também, mas principalmente, fiquei apavorado de imaginar que aquela coisa era meu animal de poder.
Todo mundo tinha tigre, águia, leopardos, leões, só animais bonitões. Bem, uma barata já era demais pra mim. Até anta servia. Mas barata? Santo Samsa!
Mr. Hi interrompeu o toque do tambor e mandou eu voltar. Eu sai daquele estado e fui me sentando. Todo mundo em volta de mim esperando para saber o que o
Bocó tinha para dizer.
Eu não disse nada. Fiquei com a maior vergonha de dizer que meu animal de poder era uma barata! E uma barata que nem falava comigo, só ficava mexendo as anteninhas.
Mr. Hi ficou olhando com seu olhar penetrante, me esperando revelar o que eu experimentei em minha jornada. Eu via centenas de olhos me olhando, parecia
que o mundo inteiro estava me esperando revelar um segredo. Todos os outros aprendizes de xamã olhavam meio que avidamente para mim esperando, esperando... e eu ficando agoniado. Uma barata? Que nojo.Estava tentando me desconcentrar. Só pensava em como desaparecer daquele lugar, cheguei a me imaginar entrando pelo ralo e sumindo no esgoto, cheguei a pedir socorro pra tal barata de poder ou sei lá o que. Bem, até que fazia sentido uma barata nessa coisa de sumir pelo buraco escuro da vida... to até ficando
poético. Meu Deus!
Nesse instante, entre a imagem de uma caminhada pelos túneis do esgoto de mãos dadas com a barata e o sentimento de imensa vergonha de ter um animal de poder que nem ao menos falava comigo como os outros, Mr. Hi me tocou no ombro e disse: "You are with the spirit of ISHINAYA in yourself!".
Bem, eu só ouvi o Ishinaya, seja lá que espirito for esse e na hora, por puro reflexo gritei: Saúde!
Caramba! Acho que não estava nos meus melhores dias. Foi uma gargalhada só. Puxa vida, como é que eu ia saber? Parece que todo mundo sabia o que era ter o
espírito da tal Ishnaya, menos eu. Que fora! Mais um.Fiquei mais enrolado ainda, mas até que foi bom ter acontecido isso, porque ficou mais fácil no meio das gargalhadas dizer que meu animal de poder era uma
barata.
E atendendo o apelo de Mr. Hi, que estava muito sério e não riu nem um pouco, até mesmo porque acho que não entendeu o meu "saúde", disse novamente "Let’s go Mr. Bocó!", assim meio seco.
Uma barata! Falei, quase gritando, quase chorando, e aconteceu algo que não me surpreendeu nem um pouco: outra o¬nda de gargalhadas insuportáveis.
Mr. Hi fingiu que nem ouviu as risadas. Depois de disfarçar a cara de perplexidade que ficou estampada e que me lembrarei para sempre, começou a falar. A tradutora teve que engolir o riso e traduzir o que ele dizia, entre um soluço e outro, com lágrimas nos olhos de tanto rir.
"It’s a straordinary and powerfull guide. The Cockroach!", ou seja, "É um extraordinário e poderoso guia. A Barata!", e prosseguiu dizendo que eu era um privilegiado de ter um animal de poder tão raro e especial assim. Que a barata me conduziria para o mundo subterrâneo sempre que eu precisasse, que com o poder da barata (minha barata!) eu iria a lugares o¬nde nenhum homem foi e mais um monte de coisas especiais e interessantes que faziam valer a pena ter a barata como um animal de poder.
Olhei para o povo só pra ter o gostinho de ver o olhar de inveja deles. Tomou? Esses abestalhados que se acham melhores que os outros nem sabem ou que perderam, ou melhor, sabem agora. Eles só tem águias, leopardos e esses bichos comuns que só conhecem assistindo o mundo animal na tv a cabo.
Eu tenho uma barata!
Mr. Hi conhece seu oficio. Me convenceu direitinho que eu levava vantagem em ter uma barata comigo o resto da vida. Fiquei satisfeito e de alma lavada depois de tanta gozação pro meu lado. Esse homem é um sábio!
QUINTA PARTE - O ENCERRAMENTO DO WORKSHOP
Depois de três dias e noites inteiros de muitas vivências e experimentações xamânicas com nossos animais de poder, e depois de muitas viagens ao túnel do inconsciente, quando descobri que algumas daquelas pessoas tinham nos seus túneis verdadeiras "Disneyword" e outras um shopping center completo com floricultura, area de serviços e lazer e cinco salas de cinema e tudo mais que tinham direito, enquanto meu túnel era sempre pura e simplesmente um túnel, digno de uma simples e prosaica barata, chegou enfim o momento do grande encerramento do nosso workshop de xamanismo.
Até então, o grande momento do workshop, fora o primeiro e emocionante encontro com o animal de poder, foi a experiencia de vivenciar a própria morte.
Ficamos todos mortos no caixão, imaginando nossos parentes e amigos se despedindo da gente. Foi muito emocionante. Pena que depois de uns 10 minutinhos de vivência, ou de mortência, Mr. Hi interrompeu as batidas no tambor e consequentemente nosso exercício. Tivemos que ressuscitar todos rapidinho porque senão não daria tempo de seguir o programa completo, e ainda mais estávamos perto da hora do almoço. Uma pena.
Mas voltemos ao "grand finale".
Faríamos a dança circular sagrada no estilo escocês, coisa que achei meio estranha pra um curso de xamanismo, mas parece que Mr. Hi tinha um convênio com não sei que instituição da escócia e daí era assim que tinha que ser. Ele dançou alguns passos girando e mostrou pra gente como deveriamos dançar.
A dança circular sagrada seria feita em torno da fogueira sagrada, de acordo com o modelo de dança dos pagés e morubixabas de algumas tribos, também comuns em workshops urbanos, segundo ouvi dizer, e que rendem uma boa grana para alguns indios de plantão.
A "dança circular sagrada escocêsa" em volta da fogueira sagrada kaiakangue" seria feita com a incorporação dos animais sagrados de cada um de nós. Haja sagrado!
Mr. Hi jogou algumas ervas sagradas e uns pozinhos sagrados para consagrar a fogueira sagrada (ai!) e começou a dança. Tamborzinho batendo cada vez mais
rapido e furioso, conduzindo todos nós para o êxtase apoteótico, como convém a um workshop desse nível.
Dancei até! Cada um fazia o barulho do seu animal de poder. Ouvia-se urros, trinados, estrilos, grunhidos e eu com minha baratinha só podia fazer "tlec, tlec, tlec" que é o único barulho que conheço da barata.
Me chamou a atenção a dança da Fada Sussurrante, uma mulher pernambucana, esposa de um deputado, que vivia de fazer vivências e workshops por todo país às custas da grana do contribuinte. Ela era bastante presunçosa e autoritária, não tinha nada de fada e muito menos de sussurrante, tratava os funcionários da pousada, inclusive Shandranua, como escravos, aos berros, só faltava bater neles. Ela foi a que mais reclamou, aliás, reclamou o tempo todo de tudo, do tempo, das instalações, do banheiro, da água, da comida e principalmente do fato do celular não pegar na pousada.
Seu animal de poder era uma serpente que fazia "fizzzzz, fizzzzz, fizzzz" o tempo todo, e ela ficava fazendo com a mãozinha como se fosse uma Cleopatra, ao mesmo tempo que empurrava as pessoas para longe dela, pois precisava de todo espaço do mundo e dizia " sssai, sssssai, sssai de perto" com sua voz sibilante de
jararaca do norte.
Depois de dançarmos um bocado e estarmos todos suados e bem fedidos teve o tal do abraço ritualistico sagrado final.
Tínhamos que nos abraçar um por um para consagrar (de novo) o momento, a coisa era mais ou menos assim:
Cada um ficava parado em frente ao outro, olhava com um olhar bem new age, meio olhar de golfinho misturado com olhar de vaca tonta, daí se aproximavam em camera lenta um do outro com um sorriso também new age nos lábios, meio estilo vegetariano, e se abraçavam. Daí um deitava a cabeça no ombro do outro e dava uns dois ou três tapinhas nas costas para consagrar o abraço, quase igual advogado faz quando cumprimenta de algum parente de cliente importante em velório da família, claro que advogado não deita a cabeça no ombro do colega.
O pior é que estávamos todos muito suados e grudentos de tanto dançar a dança circular sagrada escocesa em volta da fogueira sagrada kaiakangue, e alguns com um cheiro um tanto intenso, talvez por causa do animal de poder. Achei que essa foi a pior parte do workshop, a mais melequenta pelo menos.
Depois de um banho e o inevitável amasso de despedida com a Shandranua, que é da Silva, viemos todos embora.
Enfim, termino aqui o meu relato, o depoimento do momento que transformou minha vida e me incluiu na nova era e me tornou um verdadeiro xamã. O pessoal lá da firma vai se morder de inveja.
Serei o primeiro auxiliar de contas a pagar xamã do mundo!
E finalmente Rosinha ia me olhar com mais respeito e admiração.
O que a gente não faz pela mulher que ama hein?
EPILOGO
Mr. Bocó chega em casa, um pouco cansado de um final de semana de atividades intensas e inéditas pra ele, além da viagem expremido dentro de uma Van.
Rosinha o recebe com um abraço e um beijinho, as crianças saltitantes e felizes com a volta do pai.
Chamou a atenção de Rosinha o novo modo de usar a gravata de seu marido, amarrada na testa. Ficou meio um neo hippie, mas ela gostou.
Depois de um breve e resumido relato em volta de uma pizza new age que a Rosinha fez especialmente para a volta do marido, ela lhe pergunta qual é afinal seu animal de poder.
"The Cockroach" ele responde. Ela e as crianças perguntam o que é isso, que bicho é esse e ele diz : "é um poderoso animal de poder, e não encham mais o saco que não quero falar nisso, animal de poder é coisa meio secreta".
Elas percebem que é melhor não insistir senão ele vai ter um de seus ataques de chatice e mal humor, afinal é um marido e os maridos são todos mais ou menos assim.
Todos se encaminham para a sala para assistir TV, e nesse momento mr. Bocó se lembra de uma outra coisa.
Interrompe a familia e fala com voz forte, anunciando algo bem importante, todos mais ou menos atentos, mas com um dos ouvidos já conectados na voz do Faustão apresentando suas pegadinhas na TV.
"Eu tenho incorporado em mim o espírito de ISHNAYA!" diz com voz tonitroante.
O que se ouve então, quase gritado por três bocas simultaneamente é um sonoro, simultâneo e espontâneo...
"Saúde!"

Rápido - Luís Fernando Veríssimo

Acho que era o Marcel Marceau que tinha uma pantomima em que ele representava a vida de um homem, do berço ao túmulo, em menos de um minuto. Shakespeare, claro, tem seu famoso solilóquio sobre as idades do homem que também é uma maravilha de sintetização poética. Nossas vidas, afinal, comparadas com a idade do Universo, se desenrolam em poucos segundos. Cabem numa página de diálogo.
— Quer dançar?
— Obrigada.
— Você vem aqui sempre?
— Venho.
— Vamos namorar firme?
— Bom... Você tem que falar com o papai...
— Já falei com seu pai. Agora é só marcar a data.
— 26 de julho?
— Certo.
— Não esqueça as alianças...
— Você me ama?
— Amo.
— Mesmo?
— Sim.
— Sim.
— Parece mentira. Estamos casados. Tudo está acontecendo tão rápido...
— Sabe o que foi que disse o noivo nervoso na noite de núpcias?
— O quê?
— Enfim, S.O.S.
— Você estava nervoso?
— Não. Foi bom?
— Mmmm. Sabe de uma coisa?
— O quê?
— Eu estou grávida.
— É um menino!
— A sua cara...
— Aonde é que você vai?
— Ele está chorando.
— Deixa... Vem cá.
— Meu bem...
— Hmm?
— Estou grávida de novo.
— É menina!
— O que é que você tem?
— Por quê?
— Parece distante, frio...
— Problemas no trabalho.
— Você tem outra!
— Que bobagem.
— É mesmo... Você me perdoa?
— Vem cá.
— Aqui não. Olha as crianças...
— O Júnior saiu com o carro. Ia pegar uma garota.
— Você já falou com ele sobre...
— Já. Ele sabe exatamente o que fazer.
— O quê? Você deu instruções?
— Na verdade ele já sabia melhor do que eu. Essa geração já nasce sabendo. Só precisei mostrar como se usa o macaco.
— O quê?!
— Ah, você quer dizer... Pensei que fosse o carro. E a Beti?
— Parece que é sério.
— Ela e o analista de sistemas?
— É. Aliás...
— Estão vivendo juntos. Eu sabia!
— Ela está indo para o hospital.
— Já?!
— São gêmeos!
— Sabe que você até que é uma avó bacana?
— Quem diria...
— Vem cá.
— Olha as crianças.
— Que crianças?
— Os gêmeos. A Beti deixou eles dormindo aqui.
— Ai.
— Que foi?
— Uma pontada no peito.
— Você tem que se cuidar. Está na idade perigosa.
— Já?!
— Sabe que a Beti está grávida de novo?
— Devem ser gêmeos outra vez. O cara trabalha com o sistema binário.
— Esse conjunto do Júnior precisa ensaiar aqui em casa? Que inferno.
— E o nome do conjunto? Terror e Êxtase.
— Vão acordar os gêmeos.
— Ai.
— Outra pontada?
— Deixa pra lá. Olha, essa música até que eu gosto. Não é rock-balada?
— Não. Eles estão afinando os instrumentos.
— Quer dançar?
— Não! Você sabe o que aconteceu da última vez.

Carta ao Tom - Vinicius de Moraes e Toquinho

Rua Nascimento Silva,cento e sete
você ensinando pra Elizete
as canções de canção do amor demais
lembra que tempo feliz,ai,que saudade
Ipanema era só felicidade,
era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
a que ponto a cidade turvaria
esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
e além disso se via da janela
um cantinho de céu e o Redentor
É,meu amigo,só resta uma certeza
é preciso acabar com essa tristeza
é preciso inventar de novo o amor
nossa famosa garota nem sabia
a que ponto a cidade turvaria
esse Rio de amor que se perdeu
mesmo a tristeza da gente era mais bela
e além disso se via da janela
um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo só resta uma certeza
é preciso acabar com essa tristeza
é preciso inventar de novo o amor

Domingo, Julho 27, 2008

pra série "coisas velhas que precisam de publicidade"

Uma imagem sobre o tema que venho estudando.
Garanto que, se nos dispusermos de maneira prática e disposta a rumar na direção em que nosso dedo aponta, conseguiremos.
Consegui completar essa primeira frase.

Humanidade, massa, pensando na humanidade como massa. Seus pés se arrastam. Seus dedos apontam para todos os lugares, menos para si próprios.
A música.
O clima é pesado.
Já disse, seus pés se arrastam, caminham como zumbis.

A contradição é a música.



Ser livre é libertar-se do adquirido. De toda a posse, de todo apego, de todo haver. Isso não se aplica somente ao domínio material, mas também em planos mais sutis.
Emocionais, devocionais, culturais, espírituais, intelectuais. Tantos ais.
Preconceitos, paixões, opiniões, culpas.

Sábado, Julho 26, 2008

25 de julho

Dia fora do tempo.
Em homenagem a isso e à minha falta de assunto, ontem não houve postagem.

Quinta-feira, Julho 24, 2008

da série "quase um silogismo"

Farmácias vendem coca cola.
Coca cola causa diversos efeitos deletérios.
Farmácias vendem remédios.


ufa! lembrei!
e pior que nem era um texto novo.
Mas cá está, a força da memória!

confiar na memória

é algo meio que quase como uma loteria.
Eu vinha pensando em uma sacada genial pra criar uma séria nesse blog.
E esqueci. Isso que dá não anotar.

Quarta-feira, Julho 23, 2008

de Guilherme Arantes e célebre na voz de Elis Regina

Vivendo e aprendendo a jogar


Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Água mole em pedra dura
Mais vale que dois voando
Se eu nascesse assim pra lua
Não estaria trabalhando

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Mas em casa de ferreiro
Quem com ferro se fere é bobo
Cria a fama, deita na cama
Quero ver o berreiro na hora do lobo

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Quem tem amigo cachorro
Quer sarna pra se coçar
Boca fechada não entra besouro
Macaco que muito pula quer dançar

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Terça-feira, Julho 22, 2008

Graciosamente

Andava nua sob estrelas
Estela brilhava na noite
Jurei nunca ter visto
Beleza tão intensa nessa vida

Segunda-feira, Julho 21, 2008

o ar condicionado

Já começo dizendo que me incomodo muito com esse maravilhoso aparelho, se mal utilizado.

Bem, inicio indagando: por que, ao adentrar em um recinto qualquer - com ar condicionado - temos um choque?
Deixe-me explicar.
Se está calor, entramos no banco, por exemplo, sentimo-nos como se estivéssemos na Sibéria. Coitados dos que usam regatas, camisas sem mangas. Falta saber onde encontrar jaquetas e agasalhos, pois obviamente estamos desprevinidos para aquele frio súbito. Gripe certa.
Se está frio, entramos na repartição pública, e logo nos primeiros instantes somos jogados do frio de nossa cidade direto para a Bahia, ou um caldeirão fervente, onde somos o ingrediente principal. Retirar jaquetas, blusas e etcéteras parece ser a melhor pedida. Gripe certa.

Domingo, Julho 20, 2008

do orkut de um amigo

"Tem esse negócio chamado década, década de 60, década de 70... que década o cacete! Não existe isso. E eu não tenho 39 anos. Eu tenho milhões de anos, já tenho conhecimento mínimo suficiente para saber que sou fruto genético de uma ameba. Não sou filho de Dona Maria da Conceição. Sou filho de uma ameba há trilhões de anos. Não tenho 39 anos, tenho trilhões de anos."

"Viver é uma tarefa urgente, porque amanhã é uma coisa que não dá pra pensar, não dá pra fazer planos, hoje é urgente, amanhã é a morte, ontem, graças a Deus, teve ontem!"

( HENFIL )

Amizade

Hoje é dia do Amigo.


Feliz dia do Amigo!!!

Sábado, Julho 19, 2008








Imogen Heap - "Let Go"

Texto escrito no mês de abril durante uma dessas aulas medonhas

A verve criativa está como um fiapo.
Agarrado a insights, logo depois esquecidos.
Os nervos endurecem.
Em nome de que se empenha tanto tempo?
Trabalhando, estudando, alimentando-se.

Memória aguçada, esquece o outrora necessário.

Preciso lembrar disto.
Para não esquecer, anoto.
Logo esqueço, pois não lembro de reler.

Lembro, remoo, tudo ressurge como reminiscências de algo que se passou há horas.

Horas atrás ganham roupagem de passado remoto.

Sexta-feira, Julho 18, 2008

Ainda parado um pouco nisso aqui.
Pero, andei lendo alguns materiais que escrevi nuns cadernos e achei coisa boa.
aguardemos atualizações massivas.
Talvez hoje ainda.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Oh, it's so amazing, yeah
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown


Enquanto eu não tiver uma camera boa, não haverá chance de manter total constância no esquema de fotos.
Mas creio que assim esteja bom.
É meio maçante ficar todos os dias colocando fotos novas.
Além do mais, a página fica pesada e lenta para carregar.

Ademais, dei uma pausa no que vinha escrevendo.
Está tudo fermentando na minha mente e, no momento certo (breve), aparecerá aqui nesse espaço virtual.

Ando meio bipolar.

Segunda-feira, Julho 14, 2008

Ter algo seu

Ter algo seu sendo subtraído.
Eu já quis escrever sobre isso em um outro momento.
Mas, daquela vez fiquei na superfície.
Hoje estou tomando cuidado para não ser subtraído de minha idéia e conceito.
Aliás, como já fiz ser entendido, aquilo foi um exemplo de algo meu sendo subtraído.
E foi pior, pois naquela ocasião eu nem percebi, e ainda saí pagando de "escritor cool".
Ter algo seu sendo subtraído é como deixar um cachecol no cabide, virar as costas e - ao virar novamente - ele não estar mais lá.
"Impossível, como aconteceu?"
Você havia tomado precauções.
Será que havia tomado mesmo?
Se as tivesse tomado com total competência, você ainda teria seu cachecol!?

Esse tipo de diálogo acabamos travando dentro de nossa consciência, em qualquer situação desse gênero.
Faz parte do cair a ficha, do "entendi!"
Passamos por alguns estágios, até constatar, aceitar, desapegar e passar a se acostumar a não ter mais aquele cachecol.
Talvez nunca mais volte a ter cachecol ou pode ser que ache algum, compre ou ainda ganhe outro.
E depois disso, pode ser que o leve por muitos anos ou o perca da mesma ou de outra maneira que seu antecessor.
Cachecóis não duram para sempre.

poeira branca

De fumaça que toma conta, poeira branca nevou em todo lugar.
Grossa e densa camada, trabalho para limpar.

Sábado, Julho 12, 2008

Dioniso

Minha historia com essa divindade é pra lá de engraçada, e séria.
Certa vez tomei duas garrafas de vinho e saí escrevendo com um pincel atômico, em todas as superfícies que encontrava, mensagens que se sugeriam vir dele.
Acho que foi minha primeira experiência de psicografia.
Acho que a única também.
Depois fiquei sabendo que esse nome, ou este ser, representa a divindade que é o símbolo do teatro.
Mais uma vez nossos caminhos se cruzando.
Estudando fico sabendo mais: Filho de Zeus, único filho dele com uma mortal, foi gerado mais de uma vez, na mãe e na coxa do pai. Morreu, renasceu.

O ser que, como um anjo, não é homem nem mulher, mas pode assumir as duas formas, empresta sua afeição ao vinho e às artes dramáticas.

Está tudo muito junto, aliás.

Encarar um personagem e levá-lo às vias de fato é como embriagar-se. Lúcido, mas embriagado.
Em justaposição, quantos que, ao beberem algumas boas taças de vinho, não tomam coragem para expressar o que desejam expressar?

Tudo isso está relacionado com Dioniso.

Sexta-feira, Julho 11, 2008

o cara no espelho

Olho no espelho, o cara que está lá, ao primeiro momento, me sorri.
Sorrio.
Olho bem em seus olhos e eles me dizem algo.
O sorriso some, é outro semblante.
Olhos bem fundo nos olhos do cara do espelho.

11.07.08


Todas as lendas vão nessa direção



pé na estrada



Jd. Guarituba - Piraquara/PR

10.07.08









quatro são na Embap e duas são no contorno leste, na hora do crepúsculo

Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Terça-feira, Julho 08, 2008

Palhares vai à farra

Investigando o caso de maus-tratos a animais, Investigador Palhares vai a Santa Catarina conferir de perto a farra do boi.
"Dessa vez serei promovido a superintendente", diz ele de si para si.

08.07.2008


São Luís do Purunã


Viaduto da Francisco Derosso sobre a atual BR476


Gosto de fotos assim

Segunda-feira, Julho 07, 2008

Railanderson busca ajuda

Cansado de errar por todo canto, à caça de vítimas que possam ser defendidas, Railanderson sai à procura de ajuda.
Nem bem sabia que tipo de ajuda precisava, como, e de que maneira poderia ele ser ajudado.
Sabia que estava fazendo tudo errado e, se permanecesse assim, muito em breve seria canonizado em vida.
Passou a planejar pequenas travessuras com velhinhas.
Creio eu, escritor dessa história, que ficar falando sobre as travessuras de Railanderson não ajudaria em nada.
Pelo contrário, serviria como incentivo a futuros transgressores das liberdades da senilidade alheia.
estranho, mas senti compelido a aguardar mais uns dias para dar início À nova série de fotos.
Se foi assim, que posso eu fazer?
Contrariar?
Poderia, se tivesse conseguido tirar alguma foto.
Não deve, pois, preocupar-se, uma vez que, promessa é divida.
E estou cumprindo minhas promessas, só não vê quem não quer, ou desistiu.
Foi!



Passou!

Sábado, Julho 05, 2008

idéia nova pra entreter e me entreter

Uma foto por dia!

xi, idéia antiga voltando?
Não, digo sim. Melhor, mais ou menos.
Diferente do que fiz em tempos passados (aquele blog onde eu coloquei uma foto da minha figura por dia durante um ano), vou começar a publicar aqui mesmo, uma foto por dia, de onde eu estiver, do que eu achar interessante, de quem eu quiser, se for permitido, lógico.
Idéia nova, começarei a partir da data impossível de esquecer 06/07/08

Sucesso na empreitada!

Água no Deserto

Calma para esquentar o pedaço de água que caiu em minhas mãos.
Goteja saliva doce como mel em frente a tão sequioso objeto.
Salgada sensação que busca sanar, salvar. Saliva.

Escorado em um pedaço de chão, soerguido alguns metros do nível.
Mergulho no sentimento que despedaça o que por acaso, ou não, encontra.
Torço pelo que desesperançava.
Despedaçava uma fruta, cortava, roia, mordia.
Gentilmente catava os cacos da xícara que voou.

Bilhetes premiados, gigantes filas de um lugar qualquer para outro nenhum.
Pensamentos dísticos.
Aquilo vai, eu fico.
Guarda em si a lembrança, junta e entende a semelhança.
Como uma criança, planeja todo tipo de dança.


Partiu-se e dividiu-se.
Da divisão, voaram sementes. Uma brotou, e outra, e outra e outra.
Amor de primavera, floresce no verão.
É verão, o sol abrasa o coração. Tudo prospera.

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Desista - palavras budistas

Desista! Você acredita que a resposta está no livro do coelho?

No disco do lobão? No horóscopo chinês? Na poesia russa?

Num evangelho que ainda não foi escrito, por um cara que ainda não nasceu, que mora num planeta que ainda não foi descoberto?

Desista!

Não sei quem foi que lhe disse, nem por que acreditou, porém, pro seu próprio bem, desista!

Desista do parceiro ideal, da família ideal, da vida ideal.

Se quer ser feliz pra sempre, desista agora!

Se espera trabalhar duro, evoluir honestamente, se tornar um cidadão respeitado, pra ser feliz.

Desista! Não espere pela felicidade: seja feliz desesperadamente!

Se pretende se tornar famoso, ser reconhecido pelo talento, ser capa de revista de fofocas pra ser feliz.

Desista! Abandone a pretensão: seja feliz despretensiosamente !

Desista agora mesmo! Não passe a vida buscando outra vida.

Desista de ser feliz um dia! Apenas seja agora!

Quando desistir, compreenderá: todo lugar é o lugar certo.

Toda hora é ideal. Não existe problema agora. Nem agora. Tampouco agora. E assim nunca.

Quando desistir verá: você só enxerga sua sombra quando está de costas pro sol.

Por isso desista! Desistir é fácil. Simples como andar pra frente.

Inevitável como o movimento dos braços, dos rios, dos astros.

Relaxe o ser.

Abra a mão. A pedra cai sozinha. Desista do peso, da pedra, da pulga!

Simplesmente desista!

Como um navio que desiste da bússola e aceita a viagem.

A felicidade não está no porto seguro.

No ponto final o texto já acabou.

Na página em branco não nasceu.

Desista do fim pra sempre.

Aceite o meio eternamente!

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Rasputtin

Intrigada com o ódio que nunca havia antes sentido, Maria de Fátima foi consultar um desconhecido com quem, vez ou outra, conversava no ônibus - Rasputtin.
Rasputtin era desses duendes bizarros, quase-homens que andam lado a lado conosco e se misturam tranquila e facilmente com pessoas normais.
Maria de Fátima não via perigo nenhum nele, muito pelo contrário, até se divertia e se sentia agradada por sua presença.
O que contarei a seguir aconteceu numa dessas terças-feiras em que ninguém pensa que vai acontecer alguma coisa. E realmente não aconteceu, excetuando-se alguns pequenos detalhes. Eis alguns fáceis de lembrar: Rasputtin farejou ódio em Maria de Fátima, Maria de Fátima confidenciou-se a Rasputtin, que por sua vez enamorou-se dela naquele instante.
Poucos, muito poucos sabiam sobre a verdadeira natureza de Rasputtin, o duende, que além de duende, pertencia à casta dos magos-bruxos da floresta negra. Diretamente de algum conto dos irmãos Grimm, Rasputtin passou a operar esforços pelo ódio de Maria de Fátima.
Criatura decompositora, o duende passou a extender tapetes vermelhos à moça e criou um véu de ilusão em Maria de Fátima e, com sucesso a hipnotizou, e a deixou à mercê de todas as suas ordens. Pasmem-se! Era tudo que ela sempre quis.
Mas Rasputtin enamorara-se do ódio de Maria de Fátima. Precisava do ódio - tão sincero quanto o verdadeiro amor - que Maria de Fátima nutria e não nutria pro Nelçon.